Os ministros Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), negaram ontem que tenham julgado os 40 denunciados de envolvimento com a ''faca no pescoço''. A referência foi feita pelo ministro Ricardo Lewandowski, em conversa telefônica, registrada pela reportagem da Folha.
''Está para nascer quem coloque uma faca no meu pescoço para decidir, está perdendo tempo, não me senti acuado e muito menos com a faca no pescoço'', disse Britto.
De forma semelhante reagiu Gilmar Mendes. ''Poxa vida, o que é isso? (Nunca me senti com a faca no pescoço) nem agora nem em nenhum outro momento. Uma característica forte deste tribunal (STF) é essa: não ceder à pressão. É da tradição publicana.''
''Foi uma pressão absolutamente normal. Todos os dias julgamos questões extremamente sensíveis do ponto de vista político e não estamos preocupados com a opinião dos senhores (jornalistas)'', afirmou Mendes.
Por cinco dias e mais de 30 horas de sessão, o STF realizou o julgamento das denúncias dos 40 acusados no mensalão. Todos foram transformados em réus, entre eles os ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken (Comunicação) e Anderson Adauto (Transportes), além dos deputados petistas José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP).
Em nota oficial, o STF defendeu a transparência no processo de julgamento das denúncias contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão.
Lewandowski procurou ontem cada um dos nove colegas para se explicar. No telefonema, ele disse que os ministros julgaram as denúncias com a ''faca no pescoço'' e pressionados pela mídia. Na conversa com os colegas, ele negou as insinuações.

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