STF nega extinção de inquérito sobre esquema gafanhoto
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terça-feira, 16 de junho de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, negou ao deputado federal Hidekazu Takayama (PSC/PR) o trancamento do inquérito 2.652, relativo ao chamado esquema gafanhoto, que corre no próprio STF. Segundo informações da assessoria de imprensa do STF, Takayama solicitava o arquivamento do inquérito e, liminarmente, a suspensão dos atos em andamento relativos à investigação. O parlamentar também pedia que seu nome fosse retirado do site do STF na internet na qualidade de indiciado.
Takayama reclamava que o inquérito comandado pelo Ministério Público Federal (MPF) começou a partir de investigação criminal baseada em denúncia anônima. E o anonimato da denúncia, segundo a defesa do parlamentar, seria uma barreira à continuidade do processo.
Em seu despacho, Ayres Britto escreve que é firme a jurisprudência consagrada por esta Corte suprema no sentido de que a concessão de habeas corpus com a finalidade de trancamento de ação penal em curso só é possível em situações excepcionais, quando estiverem comprovadas, de plano, a atipicidade da conduta. Ayres Britto também disse não vislumbrar qualquer plausibilidade jurídica dos fundamentos expostos no pedido, a indicar ilegalidade ou ato abusivo por parte do Ministério Público Federal onde se iniciou o procedimento investigatório.
O advogado de Takayama, Luciano Sales Oliveira, disse ontem à Reportagem que a negativa era mais ou menos esperada. Oliveira vai estudar, contudo, a possibilidade de um novo recurso (agravo regimental). Ele enfatiza que o caso ainda está na fase de inquérito e que, portanto, não há denúncia apresentada. O MPF não tem provas (contra o parlamentar), afirmou.
Takayama responde ao inquérito junto com o prefeito de Londrina, o ex-deputado federal Barbosa Neto (PDT). Ambos, segundo a investigação do MPF, podem ter praticado crimes de peculato, estelionato e contra a ordem tributária, quando exerciam mandatos de deputados estaduais.
Pelo esquema gafanhoto, agentes públicos teriam se beneficiado com parte das remunerações de funcionários públicos fantasmas da Assembleia Legislativa. Outros políticos também estão sendo investigados, mas os casos de Takayama e Barbosa Neto seguiram ao STF em função do cargo de ocupação no momento em que foram citados na investigação do MPF.
No caso de Barbosa Neto, o caso ainda pode seguir a uma instância inferior, devido à troca de cargo - de deputado federal para prefeito de Londrina. Em meados de maio, a Procuradoria Geral da República pediu ao STF o desmembramento do inquérito, mas ainda não há decisão do ministro relator do inquérito, Menezes Direito. O procedimento investigatório foi aberto pelo MPF em 12 de maio de 2005, mas Barbosa foi citado na investigação em fevereiro de 2007.
Os dois integram uma lista de 63 deputados estaduais e ex-deputados estaduais que são citados pelo MPF como envolvidos no suposto esquema gafanhoto. Além dos políticos, a investigação cita 450 servidores públicos. O caso corre em segredo.


