Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, negou no início da noite de ontem o pedido liminar feito pelos advogados de Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, para que ele não fosse obrigado a prestar depoimento na sessão da CPI dos Bingos marcada para hoje. Os advogados de Sílvio Pereira tinham protocolado no STF pedido de medida liminar, em habeas-corpus, para que ele comparecesse à CPI. Entre os motivos alegados pelos advogados, estão as condições de saúde do ex-dirigente e o fato de a intimação ter ocorrido em período inferior a 48 horas antes do depoimento.
  Alegando estresse pós-traumático, Silvio Pereira recorreu ao STF pedindo para o tribunal ampliar os efeitos da liminar concedida em novembro de 2005 que garantia a Pereira o direito de ficar calado no depoimento. A convocação de Pereira foi feita após a entrevista dada por ele para o jornal ‘‘O Globo’’. Na reportagem, ele disse que o empresário mineiro Marcos Valério de Souza queria arrecadar R$ 1 bilhão até o final do governo Lula junto a empresas que mantém contratos com o governo.
  As declarações de Pereira foram prontamente minimizadas por integrantes do PT. O presidente do partido, Ricardo Berzoini, o chamou de ‘‘traidor’’. O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que ele estava ‘‘atormentado espiritualmente’’. É que depois de dar a entrevista, Pereira teve um acesso de fúria, destruiu o próprio apartamento e acabou se machucando.
  A defesa apresenta atestado médico informando que ele se encontra em estado de estresse pós-traumático, depressão e distimia –e que por isso não teria condições para depor.
  O laudo médico apresentado pelos advogados do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira ao STF sugere que ele seja internado para tratamento. O laudo foi assinado por médicos de Taubaté (SP) – cujos nomes não foram revelados. ‘‘Em função da gravidade e exuberância da sintomatologia apresentada sugerimos a sua internação e iniciamos conduta psicofarmacológica consistente em administrar antidepressivos inibidores seletivos de recaptação de serotonina, ansiolíticos e neuropléticos atípicos para controlar a fase aguda’’, diz o laudo médico.
  O laudo diz ainda que foi constatado que Pereira se encontra ‘‘absolutamente descompensado emocionalmente, com humor lábil, propendendo para o pólo depressivo, com ideações de menos valia bem como de auto-extermínio’’.

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