Brasília - O líder em exercício do PR, Luciano Castro (RR), leu na tarde de ontem, no plenário quase vazio da Câmara dos Deputados, a carta de renúncia do deputado Valdemar da Costa Neto (PR-SP), um dos condenados no processo do mensalão. O Supremo Tribunal Federal (STF) expediu ontem mandado de prisão de Valdemar e outros três condenados (Bispo Rodrigues, Pedro Corrêa e Vinícius Samarane) no processo.

Na carta de renúncia, Costa Neto se colocou como vítima de déspotas poderosos, em referência ao Judiciário, e cobrou do Congresso uma reação. No texto, Valdemar afirma que decidiu deixar a Câmara porque não "cogita impor ao parlamento a oportunidade de mais um constrangimento institucional".

Ele é o segundo deputado a perder o mandato devido ao escândalo - na terça-feira, José Genoino (PT-SP) também abriu mão do mandato como forma de escapar da cassação. Segundo ele, a saída exige uma resposta do Congresso.

Valdemar reiterou que foi condenado por crimes que não cometeu. Ele afirma que o mensalão foi acerto de campanha por caixa dois. O STF, no entanto, o condenou a 7 anos e 2 meses de prisão por envolvimento num esquema de desvio de recursos públicos que abasteceu a compra de apoio político no começo do governo Lula.
"Certo de que pagarei pelas faltas que já reconheci, reitero que fui condenado por crimes que não cometi. Serenamente, passo a cumprir uma sentença de culpa, flagrantemente destituída do sagrado direito ao duplo grau de jurisdição."

Essa é a segunda vez que ele renuncia ao mandato por conta do mensalão. Em 2005, quando a Folha de S.Paulo revelou o escândalo, Valdemar foi o primeiro parlamentar a deixar o Congresso - era deputado federal pelo PL quando o caso do mensalão veio à tona.

Até o fechamento da edição, dois condenados já tinham se entregado à Polícia Federal em Brasília: o ex-deputado Pedro Corrêa e o ex-vice-presidente do Banco Rural Vinicius Samarane.

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