Curitiba – Com a homologação do acordo de delação premiada de Alberto Youssef confirmada ontem pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, a expectativa é de que nomes de mais políticos comecem a surgir a partir do início de janeiro. Com isso, a lista de investigados com foro privilegiado, ou seja, que deverão ser julgados pela Suprema Corte, e que até o momento cita pelo menos 28 pessoas, deve aumentar consideravelmente.
O ministro aprovou os termos fechados entre o colaborador e a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), pela qual ele assume os delitos praticados, cita os nomes de outros envolvidos e ainda indica formas de obter novas provas. Desta maneira, ele pode conseguir uma redução da pena, caso tudo o que declarou fique comprovado. Ao todo foram mais de 100 horas de depoimentos realizados entre os dias 2 de outubro e 25 de novembro.
Para confirmar a homologação, Zavascki encaminhou um juiz auxiliar até Curitiba, que ficou encarregado de conferir se todos os requisitos do acordo haviam sido cumpridos, como por exemplo, se as declarações do doleiro foram feitas por livre e espontânea vontade. Para isso, o juiz auxiliar visitou o doleiro no Hospital Santa Cruz, onde ele estava internado até quinta-feira. Depois da decisão do ministro, agora cabe à Procuradoria Geral da República (PGR) promover a cisão do conteúdo da delação, e verificar o que será investigado pelo STF (políticos com foro privilegiado); pelo Superior Tribunal de Justiça (onde governadores respondem processo) e a primeira instância, no caso a Justiça Federal do Paraná. Esse desmembramento deve ocorrer a partir do dia 2 de janeiro.
Youssef é um dos principais operadores do megaesquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos, investigados pela Operação Lava Jato. O doleiro foi absolvido em uma das ações que tramita na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, entretanto, é réu em outros dez processos. A homologação da Suprema Corte ocorre um dia depois do londrinense retornar para a carceragem da Polícia Federal (PF), após permanecer internado por um período de nove dias para uma bateria de exames.
A defesa de Youssef agora aguarda que a Justiça possa conceder os benefícios previstos no acordo no retorno do recesso do Judiciário, em janeiro. No caso do outro delator, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, a prisão domiciliar foi concedida um dia depois da homologação do acordo.

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