STF diz que Fux julgou ações ligadas a amigo por falha
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quarta-feira, 17 de abril de 2013
Folhapress 
São Paulo - O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nota ontem para informar que uma falha na distribuição fez com que o ministro Luiz Fux relatasse três processos patrocinados pelo escritório em que a sua filha trabalha. A advogada Marianna Fux atua no escritório do advogado Sérgio Bermudes, que também é amigo do ministro.
Segundo o tribunal, Fux enviou um documento em 2011 informando seu impedimento, por razões de foro íntimo, para julgar processos do escritório.
''A iniciativa teve como finalidade impedir a distribuição de processos e a participação em julgamento de feitos judiciais patrocinados por essa parte'', informa nota divulgada ontem pelo tribunal.
No entanto, segundo reportagem do jornal ''O Estado de S. Paulo'' de ontem, o ministro relatou processos de advogados pelo escritório e participou de julgamento de pelo menos outros três de interesse do advogado. ''A observância desses impedimentos por ocasião da distribuição dos processos seria de responsabilidade da secretaria, gabinete e assessoria dos ministros. A eventual participação do ministro Fux em processos patrocinados pelo escritório Sérgio Bermudes decorreu de falha nesse sistema de verificação que não indicou o impedimento comunicado'', afirma o STF.
Segundo o comunicado, ''trata-se de falha operacional que será prontamente solucionada com a adoção de novos mecanismos de controle''. ''O Supremo Tribunal Federal manifesta a sua total confiança na lisura dos julgados levados a efeito pelo ministro Luiz Fux'', diz o comunicado do STF.
Em um dos processos, Fux é relator de um importante caso tributário que tem Bermudes como representante de uma das partes. O processo sob relatoria do ministro diz respeito a um recurso sobre cobrança dupla do ICMS nas compras feitas pela internet. O caso em questão envolve, de um lado, o Estado de Sergipe e, do outro, a empresa B2W (que reúne sites como Americanas.com, Submarino e Shoptime), representada pelo amigo.
Em novembro do ano passado, Fux proferiu um voto no sistema interno do tribunal reconhecendo a repercussão geral do caso, transformando-o em um recurso que, apesar de tratar de um caso específico de Sergipe, terá efeitos genéricos para todo o Judiciário. O processo ainda não foi julgado e o STF afirmou que será redistribuído.
Os processos revelados pelo jornal ''O Estado de S. Paulo'' têm como advogado principal o próprio Sérgio Bermudes. Em dois desses julgamentos, na 2 Turma do STF, Fux acompanhou o voto dos ministros em favor dos interesses defendidos por Bermudes. Em outras duas ocasiões as decisões foram contrárias aos interesses dos clientes do advogado.


