Brasília - A sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) adquire contornos mais nítidos a partir das 14h de hoje, quando os 11 ministros que integram o Supremo Tribunal Federal (STF) começarem a decidir sobre a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que estabeleceu a verticalização das eleições de outubro.
A expectativa predominante entre políticos e advogados é que seja mantida a proibição de alianças nos estados entre partidos adversários na eleição presidencial, a chamada verticalização. Dividido sobre a questão, o STF nem sequer entraria no mérito da resolução, de acordo com a expectativa de políticos e advogados. Seria uma forma de o Supremo se proteger, evitando expor a própria divisão.
No início da semana, o prognóstico era diferente e havia até quem apostasse na derrubada da resolução por 6 votos a 5. Mas ontem era forte a tese segundo a qual o Supremo não iria desautorizar o órgão máximo da Justiça Eleitoral justamente em um ano em que se disputam eleições.
Poucas vezes uma decisão do tribunal interferiu tanto com os interesses eleitorais da classe política. A manutenção da resolução, conforme a expectativa de setores políticos e do STF, será um profundo revés para a candidatura do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PSB). Praticamente liquida, também, a hipótese de o PFL vir a se coligar formalmente com o candidato do PPS ao Planalto, Ciro Gomes.
Além de não dispor de uma aliança nacional com um grande partido político, Garotinho passa a enfrentar problemas internos no PSB: a sigla acredita ter chances eleitorais para os governos de pelo menos quatro estados, mas, para isso, precisaria estar coligado com outras siglas que têm candidatos à sucessão de FHC.
Ciro Gomes já dispõe de uma aliança nacional que associou o PPS ao PDT e ao PTB. Mas a derrubada da verticalização facilitaria uma composição do candidato com o PFL que daria a Ciro Gomes 13 minutos e 47 segundos de tempo de televisão no horário eleitoral. Sem o PFL, Ciro ficará com 7 minutos e 15 segundos.
A verticalização, logo, beneficiaria a pré-candidatura do tucano José Serra. Essa é a avaliação predominante na equipe do tucano, mas não é a do PMDB, seu parceiro na eleição. Os peemedebistas acreditam que passarão a ter um pouco mais de dificuldade para homologar a aliança na convenção nacional de junho, pois a verticalização desarruma várias alianças nos estados.
O presidente do STF, ministro Marco Aurélio de Mello, descartou a existência de lobby político sobre os membros do tribunal. ‘‘Os integrantes do Supremo Tribunal não estão sujeitos a nenhuma pressão, a não ser a pressão da própria consciência.’’ Mas o fato é que nas últimas semanas estabeleceu-se um sutil jogo de pressões tanto do Congresso em direção ao Supremo, como dentro do próprio tribunal.

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