Brasília - Uma liminar do ministro Cézar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs ontem, por algumas horas, a censura a todos os meios de comunicação, proibindo-os de fazer qualquer tipo de gravação de imagem e de som, nas dependências da Câmara, do chinês naturalizado brasileiro Law Kin Chong, provocou uma crise institucional entre os poderes Judiciário e Legislativo. A Mesa Diretora da Casa pediu reconsideração e, antes mesmo do início da sessão do STF que examinaria o recurso, decidiu transmitir pelas emissoras de TV e de rádio próprias o depoimento de Chong à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria. Além do mais, liberou todos os veículos de comunicação particulares para que fizessem as gravações que quisessem.
''A Câmara agiu dentro de sua legitimidade ao permitir a transmissão da sessão da CPI'', disse o presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), ao anunciar a fórmula que burlou a determinação da Justiça para que nada fosse mostrado ao público. Ele procurou evitar o clima de confronto, embora, a poucos metros dali, no STF, o presidente da Corte, ministro Maurício Corrêa, acusasse o Legislativo de descumprir a decisão judicial. Cunha afirmou ainda que a decisão de Peluso fora exagerada. Os deputados da CPI da Pirataria, que consideram Chong o maior contrabandista do País, ficaram irritados com a decisão do STF.

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