Curitiba - O Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, cassou a liminar que devolvia ao Itaú as contas do governo do Paraná. A decisão foi do presidente do Supremo, ministro Nelson Jobim, que derrubou a liminar do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, em Porto Alegre (RS), com base em um pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE). A decisão do TRF devolvia ao banco paulista as contas do governo estadual.
Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa do Itaú, em São Paulo, informou que não comentaria a decisão.
Ao comprar o Banestado em outubro de 2000, por R$ 1,6 bilhão, o Itaú ganhou o direito de administrar, com exclusividade, as contas do governo do Paraná por cinco anos. Essa exclusividade, prorrogável por mais cinco anos, foi concedida durante a gestão Jaime Lerner (PSB) e questionada posteriormente pelo governo Roberto Requião (PMDB). Requião decidiu transferir as contas do Estado para bancos públicos, passando as contas entre elas a folha de pagamento do funcionalismo para o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal (CEF).
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, classificou a prorrogação como ''extravagante''. O procurador comentou que a prorrogação foi efetuada antes do término dos cinco anos iniciais, o que retirou do futuro governo (no caso a gestão Requião) a possibilidade de escolha de alongar ou não o monopólio do banco privado sobre as contas. Lacerda reiterou que contas públicas devem ficar em bancos públicos.
Segundo o Supremo, cabe recurso da decisão. Para ser saneado para a venda, o Banestado consumiu mais de R$ 5 bilhões, valor bem superior ao pago pelo banco paulista (R$ 1,6 bilhão). O Paraná só conseguirá saldar a dívida do saneamento em 2029.

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