STF anula provas de réus da Operação Publicano
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2019
Guilherme Marconi Reportagem Local 

Em decisão unânime nessa terça-feira (5), a 2ª turma do STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu habeas corpus acatando recurso interposto pela defesa dos empresários Antônio Pereira Junior e Leila Maria Pereira que pediu anulamento das provas colhidas no processo. O casal está entre os réus da Operação Publicano, que investiga suposto esquema de corrupção incrustado na Receita Estadual do Paraná envolvendo auditores fiscais e empresários.
De acordo com o advogado Walter Bittar, defensor dos empresários, as provas foram utilizadas de forma ilícita. Na sustentação oral do processo em Brasília, a defesa demonstrou que a polícia não tinha mandado de busca e apreensão para obter provas na residência do casal. "Foram colhidas ao arrepio da Constituição Federal e poderão contaminar as demais provas do processo", defendeu.
Segundo o advogado criminalista, todas as provas no âmbito da Publicano 3 e 5 poderão ser anuladas com a decisão do STF. A sentença da 2ª turma será encaminhada para apreciação do juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio. "O STF remeteu o processo para o Nanuncio para que ele possa esclarecer quais provas foram utilizadas. E se irá ou não contaminar o restante do processo", completou Bittar.
O coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especia de Combate ao Crime Organizado), Jorge Barreto da Costa, disse à FOLHA que desconhece o conteúdo e a extensão da decisão e preferiu não comentar o caso antes de ter acesso à íntegra da decisão da 2ª turma do STF.
RELEMBRE
O empresário Antonio Pereira Junior é irmão do ex-delegado da Receita em Londrina, José Luiz Favoretto. O auditor fiscal é considerado um dos principais agentes da organização criminosa , sendo réu em cinco processos criminais e acusado pelo MP (Ministério Público) de 23 crimes de lavagem de dinheiro na Publicano 3. Ainda segundo a denúncia, a empresa PF&PJ Soluções Tecnológicas, registrada em nome do irmão e da cunhada era utilizada para dar suporte às fraudes cometidas pela família.
Em primeira instância, Favoretto foi condenado a 37 anos de prisão na Publicano 1 por corrupção ativa e outros crimes. Na mesma sentença, Antonio e Leila foram condenados por falsidade ideológica a um ano e três meses de reclusão, mas todos respondem em liberdade.
Desbaratada em março de 2015, a Operação Publicano revelou uma organização criminosa que atuava na Receita Estadual do Paraná cobrando propina de empresários em troca de benefícios fiscais. Conforme a denúncia, auditores fiscais faziam vistas grossas para aliviar multas e irregularidades.


