Brasília - Negociador do PMDB junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a montagem do novo ministério, o deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA) tornou-se ontem réu em uma ação criminal aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma decisão unânime, o plenário do STF recebeu uma denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra o parlamentar. Jader Barbalho é acusado de envolvimento com desvio de recursos públicos no processo de desapropriação do imóvel rural Vila Amazônia por meio da suposta supervalorização da indenização.
O Ministério Público Federal suspeita que foi praticado o crime de peculato. A desapropriação ocorreu em 1988, quando o deputado era ministro da reforma agrária. As terras, situadas no município de Parintins, no Estado de Amazonas, seriam usadas na reforma agrária.
De acordo com informações divulgadas pelo STF, a indenização foi estipulada inicialmente em CZ$ 7,5 milhões. Mas os proprietários recusaram a avaliação e propuseram um acordo no valor de CZ$ 313 milhões. O então secretário de assuntos funcionários, Antônio César Pinho Brasil, concluiu que o valor era justo. Conforme o Ministério Público, Barbalho, por meio de uma portaria ministerial, homologou o acordo para pagamento da indenização. Além de Barbalho, Brasil responderá à ação.
Durante o julgamento, o ministro Ricardo Lewandowski disse que existem indícios suficientes de autoria do crime. Segundo ele, a documentação é consistente. O ministro observou que o valor da indenização foi aumentado em mais de 50 vezes. Advogado de Jader Barbalho, Eduardo Alckmin disse que a defesa está tranquila e vai conseguir provar a inocência do deputado. Segundo ele, os valores utilizados na época da avaliação estavam defasados já que o período era de grande inflação. ''O deputado tem todo o interesse em mostrar a sua inocência'', afirmou o advogado.

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