STF abre processo contra os 40 denunciados
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terça-feira, 28 de agosto de 2007
Leonencio Nossae Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Não sobrou ninguém. Todos os 40 denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no escândalo do mensalão, começaram a responder ontem por crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, peculato e gestão fraudulenta. A lista dos réus definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) inclui os petistas José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira, acusados de formar uma quadrilha que distribuiu pelo menos R$ 55 milhões entre aliados em troca de apoio ao governo. À exceção de Pereira, o ''núcleo político'' também responderá pela suposta prática de corrupção ativa.
Depois de um julgamento de 35 horas, em cinco dias de sessões, o Supremo ainda abriu processo contra o ''núcleo financeiro e publicitário'' da ''organização criminosa'', integrada pelo empresário Marcos Valério, três sócios dele e quatro dirigentes do Banco Rural. Todos respondem por formação de quadrilha.
O grupo teria prestado o serviço de distribuir o dinheiro do esquema a políticos como os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ), que deflagrou o escândalo, Pedro Correa (PP-PE, José Janene (PP-PR), José Borba (PMDB) e os deputados como João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Waldemar Costa Neto (PR-SP). Os parlamentares e ex-parlamentares estão na relação de réus, assim como Luiz Gushiken e Anderson Adauto, dois ex-ministros do primeiro governo Lula.
Na leitura do voto contra os mensaleiros, o ministro relator do caso, Joaquim Barbosa, afirmou que José Dirceu é o ''chefe incontestável'' do esquema. Barbosa disse ter pedido a abertura de ação contra o ex-ministro da Casa Civil com base em depoimentos, como do algoz de Dirceu, Roberto Jefferson, e de Renilda Santiago, mulher de Marcos Valério. ''Admito que há prova mínima de que ele era o mentor supremo da trama e outras pessoas eram meras coadjuvantes'', disse. ''Ele merece ser investigado.''
Joaquim Barbosa afirmou que os encontros entre Dirceu e a cúpula do Banco Rural, instituição financeira acusada de fazer ao PT empréstimos fictícios, que nunca eram pagos, reforçam a tese de que o ex-ministro sabia de todo o esquema. ''São no mínimo suspeitas as reuniões do acusado com o banco'', disse Barbosa.
O ministro Ricardo Lewandowski foi o único dos dez presentes no plenário a votar contra a abertura de processo por formação de quadrilha contra Dirceu. ''Está se potencializando o cargo do denunciado'', disse. ''Não ficou tipificado com todos os elementos o delito de formação de quadrilha.'' A posição do ministro foi isolada. ''O esquema é escancarado'', afirmou o ministro Marco Aurélio.
Por sua vez, o ministro Gilmar Mendes disse que há um ''forte contexto'' no sentido da existência de uma organização para obter os recursos ilícitos. ''É difícil imaginar que complexas negociações pudessem ser feitas sem um respaldo político.''
É difícil precisar o tempo que o Supremo vai levar para julgar os 40 réus. Marco Aurélio estimou em três anos. O simples fato de ser réu num processo de formação de quadrilha e corrupção ativa, no entanto, está sendo considerado um grande golpe por aliados do deputado cassado José Dirceu, que sonha em derrubar a suspensão de 16 anos do direito de assumir um cargo eletivo.
Os denunciados no mensalão
- João Paulo Cunha - corrupção passiva, lavagem e peculato
- Marcos Valério - corrupção ativa (2x), peculato (3x), lavagem, formação de quadrilha e evasão de divisas
- Cristiano Paz - corrupção ativa (2x), peculato (3x), lavagem e evasão de divisas
Ramon Hollerbach - peculato (3x), corrupção ativa, lavagem e evasão de divisas
- Henrique Pizzolato - peculato (2x), lavagem e corrupção passiva
- Luiz Gushiken - peculato
- Kátia Rabello - gestão fraudulenta, lavagem e evasão de divisas
- José Roberto Salgado - gestão fraudulenta, lavagem e evasão de divisas
- Vinícius Samarame - gestão fraudulenta, lavagem e evasão de divisas
- Ayanna Tenório - gestão fraudulenta e lavagem
- Simone Vasconcelos - lavagem e evasão de divisas
- Geiza Dias dos Santos - lavagem e evasão de divisas
- Rogério Tolentino - lavagem
- Anderson Adauto - lavagem (2x) e corrupção ativa
- Paulo Rocha - lavagem
- Professor Luizinho - lavagem
- João Magno - lavagem
- Anita Leocádia - lavagem
- José Luiz Alves - lavagem
- Pedro Henry - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem
- José Janene - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem
- Pedro Corrêa - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem
- João Cláudio Genu - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem
- Enivaldo Quadrado - formação de quadrilha e lavagem
- Breno Fischberg - formação de quadrilha e lavagem
- Carlos Alberto Quaglia - formação de quadrilha e lavagem
- Valdemar Costa Neto - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem
- Jacinto Lamas - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem
- Bispo Rodrigues - corrupção passiva e lavagem
- Antonio Lamas - lavagem e formação de quadrilha
-Roberto Jefferson - corrupção passiva e lavagem
- Romeu Queiroz - corrupção passiva e lavagem
- Emerson Palmieri - corrupção passiva e lavagem
- José Borba - corrupção passiva e lavagem
- José Dirceu - corrupção ativa e formação de quadrilha
- José Genoino - corrupção ativa e formação de quadrilha
- Delúbio Soares - corrupção ativa e formação de quadrilha
- Silvio Pereira - formação de quadrilha
- Duda Mendonça - lavagem e evasão de divisas
- Zilmar Fernandes - lavagem e evasão de divisas


