Arquivo FolhaPolítica, nãoReinhold Stephanes: ‘‘Não faria sentido uma troca ministerial política neste momento’’, diz o ministro ao defender seu favorito. O ministro da Previdência, Reinhold Stephanes, aproveita o último mês no governo federal para fazer seu sucessor. Arrematando os detalhes finais da desincompatibilização marcada para o próximo dia 3 de abril - pré-requisito concorrer às eleições de outubro - o ministro diz ser contra as costuras que tentam promover o secretário especial de Assuntos Previdenciários do Paraná, Renato Follador, ao ministério e defende a nomeação de um gaúcho para o seu lugar, o secretário-executivo José Cechin.
‘‘Ele (Cechin) é o meu sucessor natural. As negociações que tentam fazer em torno do Follador não têm respaldo político’’, avalia. Reinhold Stephanes aposta numa substituição técnica não apenas na Previdência Social como nos demais ministérios. ‘‘Não faria sentido uma troca ministerial política neste momento. Só traria desarmonia entre os partidos da base de sustentação do governo federal’’, observa.
A indiferença do ministro, empenhado em evitar que Follador fique com a vaga, tem suas razões. Stephanes quer garantias de que depois de 4 de outubro poderá retornar à função, pelas mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Esta possibilidade dá poder de negociação maior ao ministro, que tenta driblar o chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), e a vice-governadora Emília Belinati (PTB), para se colocar como candidato dos aliados do governador Jaime Lerner (PFL) ao Senado Federal.
O ministro admite que ter a certeza de retorno ao ministério facilitaria as articulações. Ele trabalha, por exemplo, com a possibilidade de negociar a suplência da sua virtual candidatura. ‘‘Seria uma forma de acomodar, já que eu retornaria ao governo e o suplente assumiria’’, diz Stephanes, que promete desembarcar na semana que vem ao Paraná para conversar com as lideranças políticas do Estado. Lerner deve ser o primeiro da lista. ‘‘Preciso saber o que é que o governador pensa. Até agora eu nunca falei com ele sobre o meu projeto’’, assinala.
Na conversa com o governador, o ministro da Previdência pretende deixar clara sua posição. Não aceita Greca como o candidato, está aberto a conversas com a vice-governadora e abre mão de suas ambições - concorrendo à Câmara Federal - caso vingue uma aliança entre o PFL e o PSDB, que teria o presidente da Telepar, o ex-governador Álvaro Dias, como o candidato. ‘‘O Rafael entrou agora no PFL e não soma votos. A Emília tem mais força no interior. Para ela, eu até cederia. E um acerto com o Álvaro fortalece a base de apoio do presidente no Paranᒒ, pondera.
A ‘amolecida’ diante de Emília Belinati, no entanto, não é integral. O ministro da Previdência defende a permanência da vice na mesma função. ‘‘É a vice que o Lerner precisa. Ela soma, traz votos do interior. É respeitada no Estado, assim como eu sou a nível federal, razão pela qual acredito ser o melhor candidato para o Paraná ao Senado Federal. Eu reúno as melhores condições’’, discursa o ministro.

mockup