O ex-secretário de Administração Reinhold Stephanes Junior deixou o governo do Paraná ontem magoado com o governador Jaime Lerner (PFL). Publicamente polido no discurso mas descontente nos bastidores, o ex-secretário lamentou para amigos próximos a exclusão do pai, o ex-ministro da Previdência Reinhold Stephanes, da composição do novo secretariado que vai administrar o Estado no segundo mandato.
Stephanes foi convidado pelo governador, há cerca de dois meses, para assumir a Secretaria da Fazenda, no lugar de Giovani Gionédis. O convite foi feito antes da pressão comandada pela Assembléia Legislativa para manter Gionédis na função. A resposta de Stephanes dependia de uma articulação nacional. O ex-ministro disse numa entrevista concedida à Folha que preferia o governo federal, mas não descartava a possibilidade de seu deslocamento para o governo estadual.
Arquivo FolhaNo postoMaria Elisa: ‘‘Moralização no funcionalismo público’’Derrotado nas eleições de outubro, Reinhold Stephanes ainda não conseguiu guarida no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O ex-ministro está nos Estados Unidos desde o Natal. Fontes ligadas à família Stephanes asseguram que a insatisfação de Stephanes Junior, maquiada ontem na transmissão de cargo para Maria Elisa Paciornick, é reflexo da ira do pai. O ex-ministro estaria indignado com o silêncio de Lerner, que o procurou para os primeiros contados sem nunca mais tocar no assunto.
Stephanes Junior também teria se sentido desprestigiado. Ele só teria se comprometido a deixar o governo pacificamente para abrir espaço político para a nomeação do pai. O próprio Reinhold Stephanes chegou a declarar durante entrevista, no mês passado, que só a sua entrada no governo Jaime Lerner provocaria um desligamento automático do filho. ‘‘Não tem lugar para os dois’’, ponderou.
O Palácio Iguaçu tenta minimizar o mal-estar, torcendo para que o ex-ministro da Previdência tenha êxito nas costuras que definem a composição do segundo escalão no governo federal. Além da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - cargo defendido publicamente por Lerner para o ex-ministro - Reinhold Stephanes estaria ainda sendo cogitado como opção para uma das diretorias do Banco do Brasil. O assunto, entretanto, não é tratado em caráter oficial.

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