Curitiba - O atual secretário de Estado de Administração e ex-presidente do Banestado Reinhold Stephanes criticou, em seu depoimento à CPI do Banestado anteontem, a pressa com que o governo do Paraná e o Banco Central realizaram a privatização do banco, em outubro de 2000. Ele afirmou que, mesmo integrando o governo passado, sempre se posicionou contrário ao cronograma de venda do Banestado, por acreditar que o banco poderia conseguir melhor preço caso fosse a leilão depois da venda do Banco do Estado de São Paulo (Banespa).
A posição de Stephanes, segundo ele, batia de frente com a opinião do ex-governador Jaime Lerner (PSB) e do ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis. Ambos defendiam a privatização o mais rápido possível, independente da venda do Banespa. Stephanes, que foi convocado para prestar informações sobre o processo de saneamento e privatização do Banestado, se isentou de qualquer responsabilidade sobre prejuízos causados à instituição e ao governo com a venda do banco ao Itaú.
Presidente do Banestado em 1999 e 2000, período que compreendeu o processo de privatização, disse que não tinha ''autoridade para intervir no processo de venda do banco''. Os responsáveis, segundo ele, eram o governador na época e o ex-secretário da Fazenda, que também exercia o cargo de presidente do Conselho de Administração do Banestado.
De acordo com o secretário, quando assumiu o banco em fevereiro de 1999, encontrou o Banestado em situação ''caótica''. ''O banco estava em descrédito geral, os funcionários tinham perdido a auto-estima, apresentava um prejuízo diário de R$ 2 milhões em operações no interbancário (socorro financeiro entre bancos), um histórico de fraudes e empréstimos irregulares e os balanços financeiros, quando não estavam atrasados apresentavam escrituração irregular ou até maquiados'', afirmou aos deputados. (M.G.)

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