Derrotado nas urnas em 4 de outubro e na iminência de concluir seu mandato como deputado na Câmara Federal, o ex-ministro da Previdência Reinhold Stephanes (PFL) está com emprego garantido no ano que vem. Se não for chamado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para reassumir o Ministério ou ocupar um cargo de confiança no governo federal, Stephanes deixa Brasília e se muda para o Paraná. O ex-ministro foi convidado pelo governador Jaime Lerner (PFL) para assumir a Secretaria da Fazenda, no lugar do atual secretário, Giovani Gionédis, que passaria a tratar exclusivamente da reforma administrativa do Estado.
O convite foi feito há cerca de 20 dias pelo próprio governador, num encontro reservado em Curitiba. Amigo pessoal de Lerner, Stephanes começou sua carreira administrativa junto com o governador na Prefeitura de Curitiba. De olho nos passos do ex-ministro, que diz ter sido convidado para compôr governo em pelo menos dois estados da região centro-oeste, Lerner costurou o convite e aguarda manifestação. Stephanes dá preferência para um cargo no governo federal, mas disse ontem à Folha que se sentiria honrado em dirigir uma pasta no segundo mandato do governo Lerner. Ele afirmou que essa não foi a primeira vez que Lerner o convidou.
Reinhold Stephanes disse ter consciência de que a sua entrada no governo estadual significa a saída automática de seu filho, Reinhold Stephanes Junior, que atualmente ocupa a Secretaria da Administração. ‘‘É natural que vou tirar o espaço dele’’, assinalou o ex-ministro. Nas eleições desse ano, ele computou 37.160 votos nas urnas. Não se reelegeu e nem ficou como primeiro suplente da coligação PFL-PTB costurada pelo grupo político de Lerner. A defesa exaustiva de sua proposta previdenciária durante a campanha eleitoral é apontada como o principal castigo contra o ex-ministro nas urnas. Ele tem dito que cumpriu sua missão, mas que o povo não compreendeu.
Stephanes na Secretaria da Fazenda não representaria desgaste nem para o governo do Estado nem para o próprio ex-ministro da Previdência, no entendimento do governador. Para amigos mais próximos, Lerner disse considerar Stephanes profissionalmente e politicamente preparado para a função. No controle das finanças do Paraná, ele não teria um contato direto com os servidores públicos estaduais, os críticos mais ácidos de sua proposta previdenciária.Arquivo FolhaOpiniãoStephanes foi convidado por Lerner, mas prefere cargo no governo federalLeandro Donatti

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