Stephanes assume hoje a Agricultura
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quinta-feira, 22 de março de 2007
Leonêncio Nossa<br>Agência Estado 
Brasília - O deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR) assume hoje o Ministério da Agricultura com um pedido de trégua à bancada ruralista no Congresso, que se mobilizou contra a nomeação dele. Logo após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de hoje, no Palácio do Planalto, Stephanes disse estar tranquilo para conversar, pois é um ''profissional'' do setor. ''Tenho a disposição do diálogo e do entendimento, de ouvir muito'', afirmou.
Ministro da Previdência Social nos governos dos ex-presidentes Fernando Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso e presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na gestão do ex-presidente Ernesto Geisel, ele tentou hoje apagar o currículo, principal motivo de reclamação dos ruralistas.
''Quando fui nomeado ministro da Previdência, muitos reclamaram que eu era médico'', disse. ''Mas aquilo foi quase um acidente de percurso; minha origem mesmo é a agricultura.''
Com a escolha de Stephanes, Lula está próximo de completar a equipe do segundo mandato. Além do novo ministro da Agricultura, o presidente empossa amanhã, em solenidade, às 10 horas, no Planalto, a nova ministra do Turismo, Marta Suplicy, e o novo chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Walfrido dos Mares Guia. Agora, só falta definir o nome do ministro do Desenvolvimento Agrário, que pode ser o atual ocupante do cargo, Guilherme Cassel, e definir a situação da Defesa. A crise no setor aéreo tornou frágil o ministro da Defesa, Waldir Pires.
A escolha do novo ministro da Agricultura foi a mais tumultuada da reforma da equipe. O presidente chegou a escolher o deputado Odílio Balbinotti (PMDB-PR) para o cargo, a pedido dos governadores do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), e do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Lula recuou diante de uma série de denúncias de irregularidades contra Balbinotti. Na audiência de hoje, o presidente teria dito que o passado ''confiável'' de Stephanes foi decisivo na escolha. Lula só pediu que o novo ministro mantivesse o diálogo com os ruralistas e não demitisse o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sílvio Crestana.
Stephanes negou que seja um apadrinhado de Requião. O novo ministro ressaltou não ter qualquer aproximação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná, crítica feita por ruralistas. ''Eu não sou ministro do Paraná'', afirmou. Stephanes ainda minimizou o fato de ser réu numa ação de improbidade administrativa quando ocupou a presidência do Banco do Estado do Paraná (Banestado), em 1999. ''Todas as operações feitas na época foram aprovadas pelo Banco Central (BC)'', disse.


