Stephanes aguarda 'checagem final' para confirmar indicação
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terça-feira, 20 de março de 2007
Christiane Samarcoe Vera Rosa<BR>Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adiou o anúncio oficial do novo ministro da Agricultura, mas segundo um de seus interlocutores no Congresso, informou ontem de manhã, ao governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), sua decisão de nomear o deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR) para o cargo. À tarde, o próprio deputado recebeu três telefonemas do Palácio do Planalto, dando conta de que o governo estava apenas finalizando o processo de ''checagem final'' de seu nome, e que sua indicação era tida como certa. A expectativa é que o novo ministro seja anunciado hoje. Perguntado ontem, no município de Mineiros (GO), onde inaugurou o Complexo Industrial da Perdigão, se confirmava Stephanes para a pasta, Lula respondeu: ''Eu não estou pensando nisso hoje, só amanhã.''
Além do reconhecimento da bancada da Câmara, por seu perfil técnico e competente, Stephanes contou com o aval do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e o apadrinhamento dos governadores Requião e Blairo Maggi (PR), do Mato Grosso. A bancada ruralista teme apenas que ele adote a postura de Requião contra os transgênicos.
Enquanto aguardava a confirmação oficial de Stephanes e administrava resistências de setores da bancada ruralista ao nome dele, a cúpula do PMDB começou a negociar o segundo escalão. O presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), e o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), iniciaram a negociação pelo Ministério da Saúde, estimulados pelo presidente Lula que, na conversa da véspera sobre ministério, reforçara o pedido de apoio e de parceria do PMDB com o novo ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
A primeira vítima deste acerto deverá ser o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Paulo Lustosa, que Lula e o novo ministro querem trocar. No primeiro encontro oficial de Temer e Henrique Alves com Temporão, o ministro falou que queria o ex-secretário de Saúde do município de Duque de Caxias (RJ) Oscar Berro no lugar de Lustosa, mas não teve sucesso.
Os deputados resistiram e ponderaram que a bancada não aceitaria a indicação. Ficou acertado que Berro será acomodado em uma das diretorias da Funasa e que o diretor-executivo Danilo Bastos Forte, indicado pelo deputado Eunício Oliveira, responderá interinamente pela presidência, até que se chegue a um acordo sobre o substituto de Paulo Lustosa.
Um dirigente do PMDB revela que, na conversa com Temer e o líder peemedebista, ainda na noite de segunda-feira, o presidente informou que já havia orientado Temporão a compor o segundo escalão com o PMDB, que endossara a indicação do novo ministro a seu pedido.
Recomendou apenas que o partido tivesse o cuidado de indicar ''gente qualificada'' para os cargos técnicos da Saúde, e avisou que a composição vai incluir também outras legendas da base aliada. ''Vai ter verticalização (no preenchimento dos cargos de cada ministério) dentro da coalizão de governo, e não restrita ao partido do ministro'', confirmou Temer.


