Arquivo FolhaStephanes: ‘Faltou liderança’O deputado federal Reinhold Stephanes (PFL) criticou ontem o governador Jaime Lerner (PFL) por não ter conseguido a nomeação de um paranaense para seu lugar. Depois de se recusar a comentar a indicação do senador baiano Waldek Ornellas (PFL) para o ministério, Stephanes atacou: ‘‘Lamento a incapacidade do Paraná em manter representante frente ao cargo. Faltou liderança ao governador Jaime Lerner’’, disse por telefone, de seu gabinete na Câmara Federal.
O ex-ministro diz que o Paraná demonstrou ‘‘fragilidade’’ ao discutir a questão com o governo federal. ‘‘Basta ver a posse do Ornellas ontem (terça-feira). Estavam lá o governador da Bahia, o ex-governador, o candidato a governador, senador e toda a elite política baiana unida em torno da escolha. Na minha posse, nem o governador compareceu. Cheguei a ministro da Previdência Social pelo meu valor pessoal e nada mais’’, acusou.
Aliado de Lerner na indicação do secretário especial de Assuntos da Previdência, Renato Follador Júnior (PFL), para o seu lugar, Stephanes disse ter faltado ‘‘determinação’’ na defesa da indicação. ‘‘O Follador não é um nome conhecido nacionalmente. O Lerner tinha o dever de divulgá-lo ao máximo, para assim quebrar todas as resistências’’, disse o ex-ministro.
O governador Jaime Lerner disse ontem no início da noite em Curitiba que o Paraná perdeu um ministério, mas continua mantendo sua importância no cenário nacional. ‘‘Estamos ganhando muito com este processo de transformação’’, observou. Lerner voltou a afirmar que a melhor solução para o Estado seria Stephanes ter se mantido na função. ‘‘Mas as questões políticas interferiram, e deram o tom no processo da reforma ministerial’’, ressalvou.
Stephanes tem todos os argumentos de campanha prontos para disputar a indicação ao Senado. ‘‘Fui um marco na Previdência brasileira. Nunca se avançou tanto no combate à sonegação, fraude e corrupção’’, defende o ex-ministro.
Segundo ele, a instalação do Cadastro Nacional de Informações Sociais, contendo uma lista com 60 milhões de trabalhadores e seus vínculos empregatícios, possibilitará o pagamento das aposentadorias, via computador, num prazo de três anos. O Brasil gastou no ano passado R$ 46 bilhões no INSS e outros R$ 48 bilhões no serviço público, informa.
Ele considera ‘‘altos’’ os valores gastos em aposentadorias e pensões pelos municípios, estados e a União. ‘‘Tomamos medidas administrativas enérgicas para corrigir distorções e disciplinar o setor público’’, observa Reinhold Stephanes. O ex-ministro diz que a reforma da Previdência vai representar uma economia de R$ 4 a 5 bilhões, de início.

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