Stephanes afirma que faltou liderança ao governador Lerner
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de abril de 1998
Leandro Donatti 
Arquivo FolhaStephanes: Faltou liderançaO deputado federal Reinhold Stephanes (PFL) criticou ontem o governador Jaime Lerner (PFL) por não ter conseguido a nomeação de um paranaense para seu lugar. Depois de se recusar a comentar a indicação do senador baiano Waldek Ornellas (PFL) para o ministério, Stephanes atacou: Lamento a incapacidade do Paraná em manter representante frente ao cargo. Faltou liderança ao governador Jaime Lerner, disse por telefone, de seu gabinete na Câmara Federal.
O ex-ministro diz que o Paraná demonstrou fragilidade ao discutir a questão com o governo federal. Basta ver a posse do Ornellas ontem (terça-feira). Estavam lá o governador da Bahia, o ex-governador, o candidato a governador, senador e toda a elite política baiana unida em torno da escolha. Na minha posse, nem o governador compareceu. Cheguei a ministro da Previdência Social pelo meu valor pessoal e nada mais, acusou.
Aliado de Lerner na indicação do secretário especial de Assuntos da Previdência, Renato Follador Júnior (PFL), para o seu lugar, Stephanes disse ter faltado determinação na defesa da indicação. O Follador não é um nome conhecido nacionalmente. O Lerner tinha o dever de divulgá-lo ao máximo, para assim quebrar todas as resistências, disse o ex-ministro.
O governador Jaime Lerner disse ontem no início da noite em Curitiba que o Paraná perdeu um ministério, mas continua mantendo sua importância no cenário nacional. Estamos ganhando muito com este processo de transformação, observou. Lerner voltou a afirmar que a melhor solução para o Estado seria Stephanes ter se mantido na função. Mas as questões políticas interferiram, e deram o tom no processo da reforma ministerial, ressalvou.
Stephanes tem todos os argumentos de campanha prontos para disputar a indicação ao Senado. Fui um marco na Previdência brasileira. Nunca se avançou tanto no combate à sonegação, fraude e corrupção, defende o ex-ministro.
Segundo ele, a instalação do Cadastro Nacional de Informações Sociais, contendo uma lista com 60 milhões de trabalhadores e seus vínculos empregatícios, possibilitará o pagamento das aposentadorias, via computador, num prazo de três anos. O Brasil gastou no ano passado R$ 46 bilhões no INSS e outros R$ 48 bilhões no serviço público, informa.
Ele considera altos os valores gastos em aposentadorias e pensões pelos municípios, estados e a União. Tomamos medidas administrativas enérgicas para corrigir distorções e disciplinar o setor público, observa Reinhold Stephanes. O ex-ministro diz que a reforma da Previdência vai representar uma economia de R$ 4 a 5 bilhões, de início.


