Stephanes afasta ameaça ao Banestado
O presidente do Banestado Reinhold Stephanes garantiu ontem à noite em Londrina que o Plano de Demissão Voluntária (PDV) foi aceito pelo Banco Central e deverá ser divulgado já na próxima semana. O programa, que começaria ontem e daria prazo de 10 dias para os bancários optarem, havia sido suspenso anteontem pelo Banco Central. Até o final da tarde de ontem, a informação do BC era de que o programa continuava nessa condição. O diretor de recursos humanos do Banestado, Carlos Roberto Sebastiani, permanecia em Brasília negociando uma saída. Uma das hipóteses levantadas para a suspensão foi a inclusão dos aposentados, que retornaram ao banco.
Está tudo em ordem, havia apenas um item em discussão, mas que foi superado. O plano será divulgado já na próxima semana, garantiu Stephanes em uma rápida entrevista concedida no aeroporto de Londrina, pouco antes das 19 horas. De acordo com Stephanes, o item questionado pelo BC dizia respeito à probabilidade de funcionários que aderirem ao PDV entrarem na Justiça questionando mais algum benefício. Técnicos do BC questionaram se este possível benefício representaria um custo para a instituição ou se haveria uma reserva para isso.
De acordo com o presidente do Banestado, a informação de que o cancelamento havia sido resolvido foi repassada por sua diretoria no início da noite. Sobre o prazo de conclusão do processo de privatização do banco, Stephanes disse que tudo deverá estar pronto até 14 de novembro deste ano, se não houver questões judiciais. Segundo informou, o cronograma do processo já foi inclusive encaminhado ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central.
Segundo informações do próprio Banestado, o plano para os aposentados se subdivide na categoria Plano de Demissão Incentivada (PDI), enquanto os funcionários da ativa participam do PDE (Plano de Demissão Espontânea). Todos os 10 mil funcionários da ativa terão chance de participar o PDV, sendo que apenas os 1,7 mil primeiros inscritos serão contemplados.
A verba destinada para efetuar todos os desligamentos é de R$ 100 milhões, conforme o acordo assinado pelo governo do Estado e Banco Central. O dinheiro não estava incluído na parcela dos R$ 2,6 bilhões liberada na primeira semana de março para o saneamento da instituição.
No caso dos aposentados ou de quem se aposentar até março do próximo ano, eles receberão como incentivo 0,3 salário por ano trabalhado. Esta regra vale apenas para os aposentados vinculados ao Fundo dos Funcionários do Banestado (Funbep). Quem não está no Funbep receberá meio salário a cada ano trabalhado. Além disso, terá um ano de plano de saúde e verbas legais para desligamento a fim de compensar a inviabilidade de se pagar 40% de multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Os funcionários da ativa receberão benefícios maiores. Eles ganharão 0,8 salário por ano trabalhado, com o limite de 20 salários. Será dado ainda um salário a mais como indenização do aviso prévio e a multa de 40% do FGTS. Os bancários receberão 60 vales-alimentação no valor de R$ 12 cada um. O plano original prevê ainda verbas para a reintegração dos demitidos no mercado de trabalho. Os funcionários serão contemplados com um seminário sobre mercado de trabalho e ressarcidos em até R$ 400 caso optem por fazer um curso profissionalizante, até três meses após o desligamento. A quase totalidade dos funcionários ainda não sabe como funcionará o plano de demissão voluntária.
O presidente do Banestado deixou a negociação da suspensão do PDV com o diretor de Recursos Humanos. Stephanes, que desembarcou no início da noite em Londrina, faria uma visita ainda ontem à Exposição Agropecuária da cidade. Hoje ele viaja para Jacarezinho para participar da comemoração dos 70 anos da agência do município, que foi a segunda a ser inaugurada no Estado.César AugustoAval do BCStephanes: Está tudo em ordem. Plano de Demissão será divulgado já na próxima semanaPedro Livoratti
e Carmem Murara





