Stenghel acumula diretoria do Porto
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segunda-feira, 23 de junho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O presidente da Ferroeste (Estrada de Ferro Oeste do Paraná), Osires Stenghel Guimarães, vai acumular a superintendência dos Portos de Paranaguá e Antonina a partir da próxima sexta-feira. O anúncio foi feito ontem de manhã pelo secretário dos Transportes, Heinz Herwig, que oficializou o desligamento de José Aníbal Petraglia do governo.
Stenghel Guimarães herda de Petraglia uma dívida trabalhista de US$ 250 milhões, referente a cerca de 3 mil ações que se arrastam na Justiça há anos. O novo superintendente avalia este item como o maior desafio da sua gestão frente ao Porto de Paranaguá. É um fardo pesado que terei de carregar, diz. Stenghel Guimarães só formalizou o sim a Herwig no último final de semana.
O acúmulo de funções pode ser temporário. O próprio secretário disse ontem que por enquanto as coisas ficam assim, já que até o final do ano não haveria necessidade de uma dedicação exclusiva na Ferroeste. A Ferroeste tem um plano definido até dezembro. O resto são análises, confirma. Stenghel Guimarães refere-se aos estudos do governo que envolvem a extensão da linha para os trechos como Cascavel-Foz do Iguaçu (150km) ou Cascavel-Guaíra (170km). Só depois de concluído este estudo é que seriam feitas novas obras, reforça.
O novo superintendente passa a semana planejando as trocas que deverá promover nas diretorias da APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina). Não tenho restrições a ninguém, mas há pessoas que precisam ser substituídas por uma questão de convivência diária, sinaliza o presidente da Ferroeste que, logo após o anúncio, foi com o secretário ao gabinete do presidente da Assembléia, Aníbal Khury. A benção se justifica. Khury foi o principal articulador da indicação de Herwig junto ao governador Jaime Lerner.
Panos quentes Ao secretário dos Transportes, Heinz Herwig, coube abafar o remanejamento de José Aníbal Petraglia do Porto de Paranaguá. A mudança só foi feita depois que chegou em minhas mãos o pedido de demissão, disse. Segundo o secretário, não houve nenhuma pressão política para a saída de Petraglia.
Temos um ano e meio para concluir aquilo que o governador planejou para o Porto. O momento agora é de executar. Durante este período o Porto foi conduzido de forma exemplar, definiu.
O ex-superintendente José Aníbal Petraglia reafirmou que a sua demissão foi de cunho pessoal. Fiz uma análise de uma série de coisas, inclusive a perseguição vivida pelo meu irmão, e resolvi encerrar a minha vida pública, informou, ao referir-se à crise do Atlético, dirigido pelo irmão, empresário Mário Celso Petraglia.
Se não houver nenhum convite para atividades na iniciativa privada, José Aníbal Petraglia diz que vai aos Estados Unidos ou França aprofundar seus estudos. O ex-superintendente é graduado pela Marinha.


