São Paulo - O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Ruarais Sem-Terra (MST), João Pedro Stedile, afirmou ontem que ''o povo brasileiro não tem o que comemorar no 7 de Setembro''. Ele participou de entrevista coletiva em que foram anunciados objetivos e atividades das manifestações do Grito dos Excluídos, que ocorre no dia 7 de setembro. Também foi lançado o livro que celebra os dez anos de protesto.
A data das manifestações, segundo os organizadores, é ''bastante simbólica'' - o 7 de Setembro é o dia da Proclamação da Independência do Brasil. Porém, ao ser questionado sobre as comemorações programadas pelo presidente Lula para o dia 7 de setembro, disse: ''O governo faz o que quer, o povo também. Vamos anunciar que o povo não vai atrás (das comemorações). O povo brasileiro não tem o que comemorar no 7 de Setembro, nem a soberania nacional''.
Stedile criticou a política econômica do Governo Lula, que, para ele, ''foi eleito para fazer mudanças que ainda não vieram''.
Segundo o bispo dom José Maria Pinheiro, um dos organizadores, a avaliação que pode ser feita dos dez anos de movimento é positiva. ''Há uma consciência muito maior hoje.'' Para ele, assim como para Stedile, há esperança de que o Brasil mude ainda nesse governo. ''A esperança é a última que morre. O cristão é o homem da esperança'', disse dom José.

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