Stédile quer o MST fora do sistema partidário
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sábado, 12 de junho de 2004
Roldão Arruda<br> Agência Estado 
São Paulo - Em recente manifestação do MST no Pontal do Paranapanema, um cartaz exibia a sigla PMST, numa alusão à proposta de um partido próprio. O assunto já esteve em discussão na organização, mas é rechaçado pelos seus líderes. João Pedro Stédile diz nesta entrevista que o MST deve continuar fora do sistema partidário, evitar que seus líderes se apresentem como candidatos e tentar eleger o maior número possível de defensores da reforma agrária.
Agência Estado - Já que aumenta o interesse pelas eleições, por que o MST não se junta a um dos partidos existentes ou funda seu próprio partido?
STÉDILE - A razão da saúde política do movimento dos sem-terra é que desde o seu nascedouro, aprendeu com os demais movimentos que nos atencederam e com os outros movimentos camponeses da América Latina, que deveríamos manter autonomia dos partidos políticos.
AE - E a idéia de que os movimentos deveriam ser uma espécie de correia de transmissão das propostas do partido?
STÉDILE - Essa idéia foi derrotada pela história. Nós sempre tivemos autonomia e ao mesmo tempo bom relacionamento com todos os partidos políticos que lutam pela reforma agrária e por mudanças sociais no País. E seguiremos com essa política.
AE - Há algum diretriz especial para as eleições municipais deste ano?
STÉDILE - Cada vez que entramos no calendário eleitoral, o debate e as diretrizes sempre são as mesmas: ajudar, contribuir, esforçar-se para eleger o maior número possível de candidatos progressistas, comprometidos com a reforma agrária e com as melhorias das condições de vida de nosso povo. E isso vamos aplicar de novo nas próximas eleições. Por outro lado, procuramos evitar que os quadros que participam das instâncias do MST se lancem candidatos.


