Arquivo FolhaÉ agoraJoão Pedro Stédile (à direita), junto com José Rainha: oportunidade para derrotar FHCO líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) economista João Pedro Stédile aproveitou o debate realizado anteontem à noite, em Brasília, sobre endividamento externo, para defender a candidatura Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República a uma platéia de 200 estudantes, moradores da Vila Paranoá e líderes comunitários. Stédile era um dos convidados para explicar as origens e consequências da dívida externa no simpósio promovido pela ala progressista da Igreja Católica e mais seis igrejas cristãs, movimentos populares e organizações não-governamentais da área social.
‘‘Não podemos perder essa grande oportunidade de derrotar Fernando Henrique Cardoso e junto com Luiz Inácio Lula da Silva organizar um projeto popular que garanta trabalho para todos. Mas primeiro é preciso derrotar o atual governo’’, pregou Stédile. Segundo ele, ‘‘FHC quer se reeleger para completar a implantação do projeto das elites, que é entregar o País ao capital internacional’’.
O bispo responsável pela Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Demétrio Valentini, disse ontem que ‘‘não faz parte dos objetivos do simpósio favorecer este ou aquele candidato à presidência da República’’. Mas enfatizou que ‘‘o momento atual é propício para advertências sobre a crescente fragilidade do Brasil perante as incertezas do mercado financeiro mundial’’.
Dom Demétrio disse que o encontro realizado nos últimos três dias transcende a campanha eleitoral, mas acha oportuno o debate amplo do tema durante esse período que antecede às eleições de outubro. ‘‘Qualquer que seja o governo eleito, terá de enfrentar a dura realidade que até já foi anunciada pelo diretor do FMI, Vito Tanzi’’, comentou.
O bispo se referia à declaração de Tanzi, na semana passada, quando esteve em Brasília, de que o País terá de fazer mais um ajuste fiscal profundo após as eleições de outubro próximo. ‘‘E isso significará mais recessão, desemprego e agravamento dos problemas sociais’’, completou. Hoje, quando se encerra o simpósio, será divulgado um documento de todos os participantes com as principais críticas e caminhos apontados para reduzir o endividamento externo.
O tom político da exposição de Stédile causou estranheza junto a alguns participantes. A estudante secundarista Sandra Maria da Silva disse ao microfone que tinha comparecido à atividade convocada pela Diretoria Regional de Ensino do Governo Petista do Distrito Federal para aprender sobre dívida externa e não para discutir política. Stédile respondeu à estudante: ‘‘(Era) impossível falar de dívida externa sem mostrar como as coisas funcionam e apontar os responsáveis’’.

mockup