Porto Alegre - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra João Pedro Stédile anunciou ontem que o MST e outros movimentos sociais farão em 2010 campanha contra o possível candidato do PSDB à Presidência da República, governador José Serra, mas não indicarão voto em nenhum outro candidato a presidente. ''Porque o Serra seria, simbolicamente, a volta neoliberalismo clássico, ia fortalecer o projeto dos americanos'', disse o ativista, em entrevista durante o primeiro dia do Fórum Social Mundial Grande Porto Alegre, um dos 27 eventos do FSM 2010. Stedile afirmou que, pelo que tem sentido, os movimentos elaborarão plataformas para discutir com os concorrentes ao Palácio do Planalto, e cada militante escolheria de acordo com suas simpatias.
''Os movimentos sociais sempre têm uma posição de autonomia em relação aos governos. Então, não precisamos baixar ordem para ninguém. Mas eu sinto que na militância dos movimentos sociais há uma unidade de que todo mundo é contra a volta (sic) do Serra, por tudo que ele representa da volta do projeto do Fernando Henrique (Cardoso, presidente do Brasil de 1995 a 2002). Mas cada um vai optar no quadro político para votar'', disse.
Stédile disse que o MST não vai, ''nem deve'', decidir apoiar ninguém. ''Sempre votamos mais à esquerda, mas não vamos tomar uma posição'', explicou. ''Movimento social é diferente de partido. Partido tem que deliberar: nós somos contra ou a favor. Certamente o que os movimentos sociais vão fazer, eu vi que as oito centrais sindicais já tomaram essa decisão sábado, os movimentos sociais vão tentar produzir plataformas de pontos unitários que nos unifiquem e vamos apresentar a todos os candidatos.''
O ativista inseriu as disputas eleitorais latino-americanas em uma suposta escalada dos EUA para ''tentar recompor'' seu controle sobre a região, onde estariam em disputa três projetos: o dos Estados Unidos, o de integração capitalista latino-americana e o da Alba, liderado pela Venezuela. ''Cada país vai ter uma disputa própria'', declarou, apontando a derrota de Eduardo Frei, candidato da presidente do Chile, Michele Bachelet, como derrota do segundo projeto e vitória do primeiro.
Em pronunciamento durante debate em seminário no FSM Grande Porto Alegre, Stédile disse que, apesar de o neoliberalismo ter sido derrotado ideologicamente, a maioria dos governos do mundo é de direita, ''começando por Porto Alegre''. ''Nunca antes tínhamos vivido antes no Rio Grande do Sul um governo tão fascista como é o governo de Yeda Crusius (PSDB)'', atacou.

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