Stédile diz que Lula deve chamar FHC de mentiroso
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terça-feira, 08 de setembro de 1998
Gilse Guedes Agência Estado 
O economista João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, criticou ontem a condução da campanha do candidato à Presidência pela frente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante de Fernando Henrique, não dá para bancar o ingênuo, tem de chamar o presidente de mentiroso, declarou Stédile durante ato na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em que estiveram reunidos os principais líderes da oposição, entre eles o presidente nacional do PT, José Dirceu, e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, para repudiar a atual política econômica e as medidas anunciadas ontem pelo governo. Com o presidente da ABI, o jornalista Barbosa Lima Sobrinho, eles assinaram um documento de repúdio ao governo.
Segundo Stédile, o povo quer ouvir um basta de Lula e que ele seja mais agressivo em relação ao governo. Eu, lamentavelmente, não tenho visto os programas eleitorais, mas acho que Lula tem de ser mais contundente. Com relação às medidas divulgadas ontem pela equipe de Fernando Henrique, Stédile afirmou que elas não alteram a essência da política econômica, que leva, entre outras consequências, ao aumento do déficit público. Não adianta querer lavar o porco com xampu, porque em cinco minutos ele fica sujo de novo, afirmou.
Dirceu disse que o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, deveria ser demitido por ter criado uma falsa situação de redução das taxas de juros, porque, na verdade, estava sinalizando para o mercado que iria elevá-las. Segundo ele, o governo está reeditando um pacote lançado no ano passado, logo depois da crise nas bolsas da Ásia, problema que afetou o Brasil. Ele (o governo) está novamente aumentando os juros e anunciando cortes de gastos, isto a gente já viu antes. É mais um pacote.
Entre as medidas propostas por Lula para equilibrar as contas do governo, Dirceu citou o controle do fluxo de capitais, redução das taxas de juros e a necessidade de que se declare estado de emergência junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) para garantir uma política para exportação.


