O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, afirmou ontem que os saques continuam na região da seca, no Nordeste, ao contrário do que acredita o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann. E revelou, durante um seminário para estudantes da Universidade Católica de Salvador (BA), que o governo teria se surpreendido ao encomendar uma pesquisa, na qual 60% da opiniao pública estaria a favor dos saques. O dirigente acusou a grande imprensa de omitir os fatos e de parar de noticiar os saques, seguindo orientação do Planalto. ‘‘Apoiamos os saques por uma questão humanitária’’, afirmou.
Para Stédile, o ministro Jungmann vem divulgando números de uma pesquisa forjada pelos estrategistas de marketing do governo. De acordo com os dados da pesquisa, 70% dos entrevistados estariam contra a estratégia de estímulo aos saques, que segundo Jungmann, teriam sido interrompidos para não prejudicar a campanha de Lula para presidente.
O coordenador do MST disse ainda que não merecem crédito as pesquisas do Ibope sobre sucessão presidencial. Stédile afirmou que o MST teve acesso aos dados reais da pesquisa mais recente, que segundo ele, davam uma diferença a favor de FHC sobre Lula, de apenas 6 pontos percentuais, menos da metade do percentual divulgdo. Para ele, o resultado é manipulado.
‘‘Eles tiram percentuais de Ciro Gomes, que na verdade está com 10, e de Enéas, com 8, e jogam para FHC’’, acusa o dirigente.‘‘Temos experiências anteriores que desmoralizam o Ibope, como no Rio Grande do Sul, onde as pesquisas garantiam que não haveria sequer segundo turno e o resultado da última eleição foi praticamente empatado’’.

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