O governador Jaime Lerner (PFL) já está com um staff de campanha montado para trabalhar sua imagem na busca pela reeleição em 98. Antecipando-se a 5 de julho, o início oficial para a divulgação dos candidatos, os secretários estadual da Comunicação, Jaime Lechinski; o de Curitiba, David Campos; e o publicitário Wianey Pinheiro, diretor da produtora GW, estão debruçados num plano de marketing para facilitar a recondução de Lerner ao poder. O ex-prefeito de Curitiba Saul Raiz fica responsável pela coordenação executiva da campanha.
O secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelmann, se licencia da função no máximo em 45 dias. O mesmo pode acontecer com David Campos e Jaime Lechinski, que toda semana se reúnem depois do expediente para detalhar melhor a estratégia publicitária. Junto com Wianey Pinheiro, foram os mentores do programa do PFL que foi ao ar, na última segunda-feira. Para Guelmann, a equipe de Lerner não pretende efetivar suas ações antes da Copa do Mundo. ‘‘Esta é uma eleição atípica’’, ponderou. Para ele, haverá atenção redobrada para que campanha não desfalque a equipe de governo, nem interfira na administração Lerner.
A ex-secretária da Comunicação Cila Schulman, inúmeras vezes designada para a função, deverá acompanhar o processo à distância. Amiga da família Lerner há anos, Cila Schulman é atualmente vice-presidente da Propeg C.P. Institucional, em São Paulo, que presta assessoria política para cinco estados brasileiros. O Ministério do Planejamento é um dos clientes da empresa da ex-secretária. Em 94, ela foi a coordenadora geral da campanha de Lerner e, em 96, assumiu a de Cassio Taniguchi à prefeitura de Curitiba.
Sua participação agora, pelo menos diretamente não deve acontecer. Cila e Wianey Pinheiro estão rompidos profissionalmente e o diretor da GW, segundo pessoas ligadas a Lerner, ameaçou retirar-se da campanha se ela integrasse à equipe, ainda que como mera colaboradora. O desentendimento entre os dois ocorreu durante a campanha de Cassio Taniguchi e, mesmo que Lerner interfira, pode ser definitivo. A tarefa de reeleger Lerner, segundo Cila, será marcada pelo ineditismo.
‘‘Vamos sofrer um pouco porque é a primeira vez que temos a figura da reeleição’’, avaliou a ex-secretária, em entrevista concedida à Folha em março deste ano. Para ela, estar no poder traz vantagens e desvantagens. ‘‘Pelo menos não precisaremos nos preocupar com itens básicos como em 94, como a apresentação do candidato. O Lerner tornou-se uma figura conhecida em todo o Estado’’, afirma. Cila Schulman diz ainda que a eleição será um ‘‘julgamento’’ de três homens que já comandaram o Paraná: Lerner, o senador Roberto Requião (PMDB) e o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB).
Para Wianey Pinheiro, que também trabalhou nas campanhas de Lerner e Taniguchi, a idéia do staff de campanha é valorizar o candidato e suas propostas. No caso de Lerner, a consolidação das mesmas durante a sua gestão. O publicitário disse que a diferença neste ano será que a campanha de Lerner não vai apresentar uma proposta de governo alternativa, como na eleição passada, e sim um programa de governo consolidado.

mockup