O auditor da prefeitura de Londrina, Osvaldo de Lima, deverá obter hoje a relação de funcionários e cargos da Celta System Informática Ltda., solicitada no mês passado, à Subdelegacia Regional do Trabalho (SRT). Segundo ele, a empresa, de propriedade do novo delegado do Trabalho do Estado, Celso Costa, venceu uma licitação irregular no valor de R$ 8,5 mil, realizada em 1999, na Autarquia dos Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf).
‘‘Essa licitação está totalmente incompatível com a Lei de Licitações. Quero saber quem assinou a proposta da Celta System. Primeiro que minha empresa não participou, o que demonstra que houve falsificação de documento; o contrato firmado com a Celta tinha um valor maior do que o previsto na proposta; e não dá para identificar qual o serviço foi contratado e se foi prestado’’, relatou o auditor. No processo de licitação na modalidade carta-convite, aparece a empresa de informática Precisa, de propriedade do auditor. ‘‘A minha empresa nunca remeteu nada para lᒒ.
O subdelegado regional do Trabalho, Dorival Arantes, disse que o trabalho dos fiscais foi concluído anteontem e que não poderá dar informações sobre o relatório por orientação da Procuradoria Jurídica do Ministério do Trabalho. ‘‘Por uma questão de normas, não podemos declarar nada sobre o relatório. A única pessoa que poderá declarar é quem solicitou a lista’’, justificou.
A Celta System também está sendo investigada pelo Ministério Público, nos processos que apuram o desvio de dinheiro da Prefeitura de Londrina. Costa, que assumiu a delegacia por indicação do deputado federal José Janene (PPB), presidiu a extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), durante a gestão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido).
A Coordenação Federativa de Trabalhadores (CFT) encaminhou anteontem nota à imprensa, condenando os critérios que levaram à nomeação de Celso Costa. Segundo a nota, ‘‘a nomeação do novo delegado do Trabalho no Paraná teria contemplado a quota de um partido político, ao qual é filiado o ministro do Trabalho’’, referindo-se ao ministro Francisco Dornelles (PPB).
A CFT defende a ‘‘co-responsabilização da comunidade na escolha da pessoa que dirige os trabalhos do órgão público, através de ampla discussão com as partes interessadas’’.

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