Sperafico ameaça processar o presidente do Banestado
Acusado de ter quase quebrado o Banco Del Paraná - o braço do Banestado no Paraguai -, o deputado federal Dilceu Sperafico (PPB) foi citado ontem pelo presidente do Banco como um dos maiores devedores, em atraso. Manuel Garcia Cid (o Neco), presidente da instituição, diz que o pepebista deve R$ 17 milhões para o Banestado e outros R$ 300 milhões para o Banco do Brasil. Orlando Pessuti, do PMDB, também foi citado durante a reunião reservada entre Giovani Gionédis, Neco Garcia e os deputados estaduais.
Segundo ele, a dívida de Sperafico nasceu de operações indevidas no Del Paraná durante o governo passado e estaria em nome da Agropecuária Sperafico, de propriedade da família do deputado federal. Ele diz que foram concedidos empréstimos sem quaisquer garantia de emissão de promissórias sem respeitar critérios exigidos pelo Banco Central, o que teria representado um prejuízo de US$ 20 milhões para a instituição financeira, nos cálculos de Garcia.
Ele citou a dívida do deputado Sperafico como um exemplo para sustentar as acusações que fez anteontem, durante manifestação dos funcionários do Banco contrários à privatização do Banestado. Auditoria do BC revela que a inadimplência no Banestado hoje chega a R$ 692 milhões. A expressão numérica dos deputados devedores é relativamente pequena, mas existe, assinalou Neco Garcia. Ele disse que o débito do deputado é público e está à disposição para os interessados no fórum de Cascavel. Eu não estou inventando a roda. Estou cumprindo a minha função, discursou.
Em entrevista pelo telefone, de Brasília, Dilceu Sperafico admitiu ontem que está inadimplente em cerca de R$ 200 mil com o Banestado. Tenho um leasing que está atrasado, mas desembolsei dias atrás R$ 20 mil para saldar um débito total de R$ 90 mil. Os juros estão muito altos, reclamou. Ele diz que a Agropecuária Sperafico é de seus irmãos, que não tem participação na empresa e que desconhece as transações citadas por Neco Garcia junto ao Del Paraná. Pessoalmente, eu não devo um pila para o Banco. Duas empresas de minha responsabilidade (a Sperafico Hotéis e Turismo e a Sperafico Alimentos) têm dívidas, mas estão sendo saldadas, garante.
As acusações feitas pelo presidente do Banco levaram o deputado a refletir sobre seus apoios nas eleições 98. Vou analisar bem, para que lado vou, alertou o parlamentar, tido como um aliado político de Lerner, pelo Palácio Iguaçu. A revelação de valores da suposta dívida podem levar o deputado a recorrer na Justiça. Ele estuda a possibilidade de processar Neco Garcia por quebra de sigilo bancário. Ele é um mal informado. Nem me conhece, disse.
Orlando Pessuti, também apontado como inadimplente do Banestado, alega que saldou sua dívida - de R$ 100 mil - ainda em junho de 94, durante o governo Mário Pereira (PMDB). Eu não devo nada e fico com as declarações do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que já provaram que não houve inadimplência no meu caso, disse. (L.D)





