A empresa SP Alimentação, que mantém contrato de R$ 10,4 milhões com a prefeitura para fornecer alimentação escolar em Londrina, recebeu 19 autos de infração desde o início do ano em valor total de R$ 264 mil. O valor das multas aplicadas à SP foi divulgado ontem pelo presidente da comissão que investigou as irregularidades na gestão interina de José Roque Neto (PTB), João Carlos Perez.
As irregularidades na merenda escolar foram divulgadas pela FOLHA no início do período escolar. A empresa foi autuada por irregularidades no armazenamento de alimentos, fornecimento de frutas apodrecidas e troca do corte de carne estipulado em contrato. Os membros da comissão foram interrogados ontem na Câmara em razão de a prefeitura não ter acatado a pena máxima sugerida - o rompimento do contrato.
''A notícia que nós temos é que já estão iniciando um novo processo licitatório. Além disso, sabemos que o rompimento tem que ser tratado com cautela'', afirmou Perez. ''Nossos apontamentos foram nesse sentido porque houve reincidência nas irregularidades.''
Perez, que é também o gestor do contrato com a SP, confirmou ontem que um laudo técnico apontou existência de coliformes fecais em amostra de carne. ''Esse relatório chegou a nós depois que encerramos os trabalhos.'' Apesar do grave problema, ele alegou que a prestação dos serviços ''melhorou'' após a aplicação das penalidades. Ele não soube explicar se, dentre os autos já aplicados, algum se refere à questão dos coliformes - nem o período em que houve o problema.
O vereador Rony dos Santos Alves (PTB) voltou a cobrar o rompimento do contrato com a SP e disse que levará pedido de intervenção do Ministério Público (MP). ''Existe prova de que as cozinhas usadas não têm licença da Vigilância Sanitária e o fato do vice-prefeito (José Joaquim Ribeiro) ser dono de escritório de contabilidade que atende a SP fere brutalmente o princípio constitucional da impessoalidade'', afirmou.
A defesa da administração coube ontem ao secretário de Governo, José do Carmo Garcia, que acompanhou a sessão na Câmara. ''A prefeitura está tomando todas as providências necessárias. A partir de julho já estaremos abrindo nova licitação'', disse. O contrato com a SP termina mês que vem. José do Carmo também negou que haja favorecimento à empresa em razão do vínculo entre a SP e o vice-prefeito. O novo contrato deve adotar um modelo misto - com utilização de merendeiras terceirizadas e compra de alimentos diretamente pelo município.
A presidente do Conselho Municipal de Alimentação Escolar, Andreliane de Godoy, defendeu ontem que a SP Alimentação não possa participar da nova licitação.

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