Curitiba - Confirmado ontem pelo governador Beto Richa (PSDB) como novo líder do governo na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) garantiu que sua gestão será de muito diálogo, inclusive com os poucos membros da oposição. Mesmo com a resistência de alguns de seus correligionários, ele substituirá Ademar Traiano (PSDB), favorito para ocupar a presidência da Casa, a partir de 1º de fevereiro, quando recomeçam os trabalhos em plenário.
"Na verdade, faz parte um pouquinho da nossa dinâmica partidária termos posições por vezes antagônicas. É, obviamente, uma escolha pessoal, e eu aceitei esse desafio com muita honra", afirmou. Nascido em Londrina, em 1957, o peemedebista é conhecido justamente pela habilidade em transitar pelos diferentes grupos políticos. Tanto que já ocupou o mesmo posto durante o último governo de Roberto Requião (PMDB), ferrenho adversário dos tucanos. Foi também secretário de material da Prefeitura de Curitiba, entre 1991 e 1994, na gestão do senador, e secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Economia Solidária, no primeiro mandato de Beto. E, embora seja aliado do PSDB em âmbito estadual, costuma se referir aos petistas do governo de Dilma Rousseff como "companheiros".
Na AL, dos oito integrantes da bancada do PMDB, cinco são mais próximos ao governador. Os outros três eleitos – Nereu Moura, que é o líder, Anibelli Neto e Requião Filho - devem se manter na oposição. "Entendo que o Nereu e outros parlamentares que deverão integrar a oposição terão comigo uma relação fraterna. Serão divergências pontuais, nos discursos, mas certamente teremos um diálogo constante e permanente, tanto no plenário, como nas reuniões da bancada", assegurou. Além dos peemedebistas, a expectativa é de que Nelson Luersen (PDT), Pastor Edson Praczyk (PRB) e os três petistas eleitos – Professor Lemos, Tadeu Veneri e Péricles de Mello – também se contraponham às iniciativas do Executivo.
Romanelli admitiu, ainda, que os próximos meses serão difíceis, devido às dificuldades financeiras do Estado. "Será um tempo de desafio, e a gente tem que pensar que o resultado precisa ser bom para o povo. Pode não ser bom para todos, mas para o povo tem que ser." Ele contou que muitas mensagens governamentais devem chegar à AL ainda em fevereiro, no entanto, não quis adiantar quais. "Para ser sincero, vai ter muita coisa, muitos projetos importantes, que vão dar uma estruturada no Estado. Mas não posso antecipar, porque elas (medidas) têm de ser anunciadas pelo governo, e não por mim." (M.F.R).

mockup