Eleito o deputado federal mais votado do PT, com 37.638 votos, o médico Márcio Artur de Matos, 52 anos, de Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa), diz que não está ‘‘de todo satisfeito’’. ‘‘Estaria se o PT tivesse aumentado sua bancada’’, afirmou.
Derrotado na campanha de 1994 para a Câmara, quando ficou como primeiro suplente, ele acredita que a vitória, agora, está intimamente relacionada à sua atividade profissional e à compreensão, pelo eleitorado, de uma campanha pelo voto no ‘‘candidato da terra’’ iniciada por ele em 1993. ‘‘Nunca tivemos representante em Brasília’’, diz Matos, que quer trabalhar pela saúde, educação, previdência e formação política dos jovens.
Ele formou-se em 1978 pela Escola Paulista de Medicina, quando participou do movimento estudantil. ‘‘Mudei para o Paraná e fiquei quietinho. Fiz opção pela família, mas nunca descuidei da participação comunitária’’, garante. Seu primeiro partido foi o PMDB, como vereador de 89 a 92. Foi candidato a prefeito em 92, não conseguiu. Voltou a tentar em 94, quando candidatou-se a federal; em 96 tentou novamente a prefeitura, sem sucesso. ‘‘Fiz aquela campanha de olho nesta’’, revela.
Autodefinido como um médico popular - ele é ortopedista -, Matos promete não esquecer as bases. Quer continuar atendendo a população aos finais de semana. ‘‘Tenho uma ligação próxima com o povo e falo a conversa dele. Não é nada forjado’’, garante o deputado federal, que, na véspera da eleição fez três cirurgias e duas no dia 4. ‘‘Os outros dois ortopedistas são de fora e pedi que fossem votar em mim’’.
A Folha entrevistou o deputado na quarta-feira, em Londrina. A seguir, os principais trechos da entrevista.

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