'Sou sustentabilista progressista', afirma Marina Silva
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba - Nem socialista, nem capitalista. Três dias após o registro de seu partido, a Rede Sustentabilidade, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ex-senadora Marina Silva disse ontem rejeitar qualquer "estereótipo" utilizado para se referir aos políticos tradicionais. "Sustentabilidade não é uma maneira de fazer; é uma maneira de ser, um ideal de vida. Eu hoje não me coloco nesses rótulos, mas, se me perguntam, sou sustentabilista progressista", afirmou. Uma das palestrantes do VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), promovido pela Fundação Grupo Boticário, em Curitiba, a acreana falou sobre os planos da legenda, as propostas de reforma política discutidas no Congresso Nacional e a dificuldade de conciliar a agenda ambiental com os desafios da área econômica.
"A política tem que se reconectar com a potência de fazer diferente. É isso que toca a humanidade para frente; é mudar preservando e é preservar mudando. Esse modelo capitalista, sendo bem clara, não tem como ser defendido. O seu padrão de consumo e produção, se universalizado para os sete bilhões de seres humanos, o planeta não tem como dar suporte", discursou. Questionada sobre como se dará a organização da legenda, 34ª do Brasil a ser oficializada, Marina defendeu uma abordagem programática, e não pragmática. "Não vamos atrair pessoas incompatíveis com o DNA da Rede. Obviamente, isso não significa ter apenas ambientalistas de carteirinha. Pessoas com uma trajetória de seriedade na luta a favor dos direitos humanos e da ética na política serão bem-vindas", contou.
Como exemplos, ela citou as recentes filiações dos deputados federais Alessandro Molon (ex-PT-RJ) e Miro Teixeira (ex-Pros-RJ), além da proximidade com a ex-senadora Heloísa Helena (ex-Psol-AL). "Eles não vêm da tradição ambientalista, mas têm sensibilidade para a causa e estão conosco. Aqui no Paraná, não vai ser diferente. Não vamos trabalhar simplesmente achando que temos que ter gente porque temos que ter candidatos e estamos pensando na estratégia de 2000 e não sei quando", disse, já desconversando sobre os pleitos de 2016 e 2018. "Trabalhamos muito com aqueles que podem ser os nossos aliados, de conversas, de cobranças, em todos os partidos. Nós precisamos ter glóbulos brancos e vermelhos em todos os segmentos que estão no Congresso", completou.
A ex-ministra do Meio Ambiente reiterou, ainda, sua posição a favor do financiamento público de campanha. "Nós defendemos isso desde sempre. Inclusive, inauguramos em 2010 o expediente da contribuição de cidadãos de um modo geral. E mesmo agora, em 2014, a minha campanha, estruturada em pouco menos de 60 dias, foi a que mais recebeu contribuição avulsa da sociedade, cerca de 13% do que arrecadamos." Durante e depois da palestra, em rápida coletiva de imprensa, também sobraram críticas à administração da presidente Dilma Rousseff (PT). "É o elo político que está nos levando a perder os ganhos sociais, é o elo político que não enfrenta a agenda ambiental e é o elo político que transforma a política em algo que só consegue fazer mais do mesmo, levando o mundo e o País à estagnação."
Membro do alto escalão do governo federal nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e uma das fundadoras do PT, Marina trocou a antiga sigla pelo PV em 2009, para se candidatar à Presidência. Foi derrotada nas urnas e, em 2013, começou a articulação para a formação da Rede. No ano passado, porém, diante da impossibilidade de regularizar o registro da nova legenda a tempo das eleições, acabou fazendo o que chamou de "aliança programática" com o PSB do ex-governador pernambucano Eduardo Campos. Terminou na terceira colocação, atrás de Dilma e do senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Um dos temas abordados durante o VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), em Curitiba, foi a preparação para a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (COP21), que ocorrerá em dezembro, em Paris, na França. Os 196 países membros assinarão um novo acordo global, em substituição ao Protocolo de Kyoto, ainda vigente. Marina cobrou uma posição mais firme da administração Dilma Roussef (PT) a respeito do tema, lembrando que os Estados Unidos, o México, a China e a União Europeia já enviaram suas metas de redução de emissão de carbono. "O Brasil está deixando para o último momento exatamente para não receber a crítica e as contribuições da sociedade. Nós temos uma proposta que foi apresentada pelo Observatório do Clima. O governo deveria se inspirar nela e se abrir ao diálogo", sugeriu. "Não podemos ir para lá com uma proposta pífia; tem que ser uma proposta ousada, que todos os países ricos e em desenvolvimento possam assumir, com metas de redução (de CO2)."


