O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu ontem, pela primeira vez, que será o candidato do partido à Presidência da República. A declaração escapou durante um discurso para 400 empresários, que se reuniram para ouvir Lula em Francisco Beltrão (Sudoeste), num clube. Ontem, Lula encerrou a etapa paranaense de sua Caravana da Agricultura Familiar.
Ao responder a um ouvinte, Lula destacou que os políticos precisam da ajuda dos empresários para resolver os problemas econômicos. E disparou: ‘‘Não sou candidato a Deus. Sou candidato a presidente da República’’. O petista vinha evitando o tema da sucessão.
Depois, em coletiva, Lula tentou consertar o escorregão. Afirmou que havia falado em hipótese. ‘‘Foi uma reflexão. Respondi de acordo com a pergunta, que era sobre o que eu faria se fosse candidato e ganhasse a eleição. Só vou decidir o que farei da vida em março. Até lá, o quadro político nacional estará mais definido.’’
Mas ele já falou, agiu e criticou como candidato. ‘‘Fernando Henrique vai para a história por ter sido o presidente que gastou R$ 600 bilhões sem deixar nenhum ativo para o povo’’, disse. ‘‘O Getúlio (Vargas) deixou a base da indústria. O Juscelino (Kubitschek) deixou Brasília e o desenvolvimento do Centro-Oeste. Até os militares deixaram. Eles pensaram o Brasil’’, disse.
O terceiro e último dia da Caravana da Agricultura Familiar no Paraná foi dedicado ao cooperativismo de crédito e à educação rural. Pela manhã, Lula visitou a sede da Cooperativa de Crédito Rural e Integração Solidária (Cresol). Sediada em Francisco Beltrão, a instituição atua nos três Estados do Sul concedendo empréstimos aos pequenos produtores rurais. A Cresol foi fundada em 1986 e hoje une 46 unidades, que este ano deverão distribuir R$ 43,5 milhões em financiamentos a 17,5 mil pequenos produtores. A caravana será encerrada hoje em Chapecó (SC).
Integrante da caravana, o presidente da CUT, João Antônio Felício, anunciou ontem que o funcionalismo federal deu prazo até setembro para que o governo conceda reajuste salarial para a categoria, o que não ocorre há sete anos. Se isso não acontecer, os 700 mil trabalhadores do setor entrarão em greve.
Felício considerou um ‘‘desrespeito à lei’’ o fato de o presidente FHC ter ignorado o STF, que recomendou a concessão de aumento para os servidores federais. ‘‘O confronto com o STF não é bom para FHC, que já foi derrotado na questão do FGTS.’’ A categoria luta por reajuste de 84%, enquanto o governo acena com uma reposição da inflação, na faixa de 8%.

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