Soraya relaciona Itaipu com campanha do PT
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quinta-feira, 09 de fevereiro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
A ex-assessora financeira da campanha de reeleição do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), Soraya Garcia, envolveu ontem, no depoimento à CPI dos Bingos, no Senado Federal, a Itaipu Binacional, que teria 'colaborado' com pelo menos R$ 475,2 mil, para a campanha municipal de 2004. Através de nota oficial, a empresa disse que as informações são mentirosas e que vai responsabilizar a acusadora judicialmente (ler box abaixo).
Durante três horas e meia, Soraya relatou aos senadores o suposto esquema de gastos não contabilizados na campanha petista, e que, em alguns momentos, envolveriam a hidrelétrica e a Gtech Brasil, empresa investigada pela CPI. Segundo ela relatou ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e à Polícia Federal (PF), em julho do ano passado, a campanha teria declarado à Justiça Eleitoral, R$ 1,3 milhão. No entanto, teriam sido gastos no total R$ 6,5 milhões.
Em uma pergunta feita pelo relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), Soraya relatou uma suposta conversa que teria ouvido do então diretor financeiro da campanha, Augusto Ermétio Dias Júnior. ''Antes da eleição, no dia 24, o Augusto estava nervoso. Precisava de dinheiro para pagar os cabos eleitorais. Não sei com quem ele falava (ao telefone), quando ele disse: '400 pilas? Da Itaipu?' Olhei para ele assustada e ele disse: 'Como vocês conseguiram isso?' aí, ele saiu da sala, voltou, olhou a planilha, imprimiu, apagou o arquivo e foi embora dizendo que iria encaminhar ao prefeito'', disse.
Respondendo a outra pergunta, do senador José Jorge (PFL/PE), a ex-assessora faz uma ilação entre um contrato firmado pela Gestão - Consultoria, Planejamento e Pesquisa S/C Ltda, da qual o secretário Municipal de Saúde, Silvio Fernandes, é sócio, com a Itaipu, e a doação de R$ 100 mil pela empresa gaúcha WBC, para a campanha petista em Londrina. ''A Gestão, coordenada pelo secretário Silvio Fernandes, fica na Avenida Maringá, 625, sala 302, e na 402 ficava o escritório político do então deputado federal Paulo Bernardo (atual ministro do Planejamento). À Gestão foram enviados no dia 24 de julho de 2004, R$ 75,2 mil da Itaipu em forma de proventos. Essa Gestão mandou para WBC, que é uma consultoria, que enviou no dia 28 de agosto de 2004, à campanha, um cheque de R$ 100 mil'', disse.
Sobre a Gtech, Soraya disse haver 12 notas de locação de veículos em nome da empresa para membros da campanha e que os petistas teriam locado uma sala em um hotel para a Gtech. ''Não sei se a Gtech deu dinheiro para a campanha, mas que a campanha pagou o evento para a Gtech, pagou, e que teve carros da Gtech em nome de pessoas da campanha, teve'', afirmou.
Ao longo do depoimento, Soraya voltou a citar membros do PT nacional nas denúncias de irregularidades da campanha petista em Londrina. Confirmando declarações concedidas no ano passado, ela relacionou o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, e o ex-deputado federal José Dirceu, com o abastecimento de recursos para a campanha.
Os dois senadores petistas, Flávio Arns e Tião Viana, colocaram em dúvida o relato da ex-assessora. ''Não vi coerência no que a senhora fala. Não ponho credibilidade em nada do que a senhora falou. Lamento'', falou Viana. Em seguida, ao receber o apoio do senador José Agripino (PSDB/RN), Soraya foi às lágrimas. ''Eu não aguento mais ver o meu povo sofrer. Pode parecer loucura, mas não adianta denunciar porque ninguém vai te escutar. Se 1% da população fizesse o que eu estou fazendo, o Brasil já tinha sido passado a limpo. Me filiei a um partido e ele piorou a situação'', disse, aos soluços, se referindo a sua filiação ao PT.


