A ex-assessora financeira da campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), Soraya Garcia, prestou depoimento ontem no inquérito instaurado pela Polícia Federal (PF) para investigar denúncias feitas ao Ministério Público Eleitoral (MP), de irregularidades nas contas oficiais da campanha petista.
Em três horas de oitiva, ela reafirmou ao delegado Fernando Lara, que recibos eleitorais anexados à prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral contém assinaturas falsificadas, além do cancelamento de recibos de doações para a campanha. A operação serviria segundo Soraya para pulverizar dinheiro de doações não declaradas no caixa oficial. ''Tudo era feito a mando da Executiva do PT.'' Este foi o primeiro depoimento depois da abertura do inquérito, no último dia 6. ''Essa pulverização está acontecendo desde o pricípio. Foi dado dinheiro, distribuído em nome de secretários e foi colocado como recibos eleitorais e justificadas essas doações''. Ela acredita que os valores dos recibos ultrapassem os R$ 60 mil. A ex-assessora afirma que as doações em dinheiro em nome de empresas chegaram a R$ 970 mil. De acordo com a prestação de contas do PT, o total arrecadado foi de R$ 1,1 milhão.
Soraya declarou que as assinaturas do presidente do diretório do PT e secretário de Gestão Pública, Jacks Dias, teriam sido falsificas, mas não revelou quem as teria fraudado. ''Eu já entreguei para a polícia. Ela tem que averiguar a assinatura, ainda mais se tratando de documento público, de título público'', argumentou.
Soraya declarou que ainda teria algumas irregularidades para apontar, mas não adiantou quais seriam. ''É um ano de caixa 2, praticamente. Não foi um caixa feito somente na campanha. Ele começou com uma pré-campanha.'' O advogado de Soraya, Mauro Aguilhera, afirmou que a cliente não tem provas, mas tem indícios sobre as irregularidades. ''Quem vai afirmar é o Ministério Público, a Polícia Federal e o juiz.''
Ele também detalhou a denúncia de pulverização. ''Como eles não tinham como comprovar a origem de boa parte do dinheiro, eles distribuíam entre as pessoas que eram ligadas à campanha, como se elas estivessem fazendo a doação.'' E complementou: ''Muitas empresas preferem não doar 'por dentro'. Então, para justificar a entrada do dinheiro, eles pegam assinaturas de várias pessoas ligadas ao partido.''
Através da assessoria de imprensa da PF, o delegado Fernando Lara declarou que o depoimento ''foi bastante produtivo''. Soraya teria apontado as supostas irregularidades nas contas oficiais do PT nos quatro volumes do inquérito. A ex-assessora teria dito ainda os nomes das pessoas envolvidas na falsificação de assinaturas em documentos constantes na prestação de contas. Conforme o delegado, esses documentos serão submetidos a exame grafotécnico em conjunto com peritos do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Pessoas citadas como doadores de ''fachada'' serão convidadas informalmente para prestar depoimento ainda esta semana.
Ontem, o delegado Kandy Takahashi, que preside o inquérito que apura supostos gastos não contabilizados na prestação de contas petista, respondeu o pedido de informações feito pelo juiz da 41 Zona Eleitoral, Jurandyr Reis Júnior. O juiz analisa o pedido de prorrogação das investigações por mais 60 dias.

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