A revista ''Isto É'' chega às bancas do Paraná hoje com mais uma denúncia da ex-assessora financeira de campanha do PT de Londrina, Soraya Garcia. Desta vez um dos alvos é o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) local, José Carlos da Rocha. Na entrevista, ela também cita o ministro do Planejamento Paulo Bernardo, que seria uma das pessoas que traziam dinheiro para a campanha na cidade, denúncias já publicadas pela Folha e motivo de investigação em inquéritos da Polícia Federal (PF).
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Segundo as denúncias de Soraya, Rocha teria recebido dois envelopes de dinheiro durante a campanha à reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), um com R$ 1,5 mil e outro com R$ 5 mil, que seriam provenientes de recursos não contabilizados. Rocha refutou as acusações, ontem, em entrevista à Folha.
Ontem, Soraya confirmou as informações que deu à revista e disse que não sabia que o senhor para quem havia entregue o dinheiro era presidente da OAB. Em um dos trechos da entrevista à ''Isto É'' ela afirma: ''Uma vez, em 10 de outubro, lá pelas 7h da noite, entrei na sala um senhor e dei a ele um envelope com o nome dele, Rocha, e R$ 1.500 do caixa 2. Em agosto o envelope foi de R$ 5 mil. Tempos depois, quando tinha denunciado o PT, fui à OAB. Entrei numa sala e vi um cara lá no fundo. Quando me aproximei, fechei os olhos... era o Rocha! - José Carlos Rocha, presidente da OAB de Londrina''.
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Ela contou que só ''reconheceu'' o presidente da OAB quando esteve na sede do órgão em agosto deste ano, para entregar um requerimento de assistência jurídica. O pedido era para que a OAB indicasse um advogado que pudesse atendê-la gratuitamente. Mas o pedido foi negado com a justificativa que a OAB não era defensoria pública. A defesa dela foi assumida então pelo advogado João Graça, de quem, diz, é amiga há quatro anos.
Para Rocha, as afirmações de Soraya são ''absurdos''. Ele disse que ''até acreditava'' nas outras acusações que a ex-assessora fez ''pela convicção com que falava'', mas que ''hoje, as denúncias são tão absurdas que as afirmações dela ficam desacreditadas''. ''Ela é completamente louca, megalomaníaca'', afirmou.
Rocha disse que ''nunca'' foi ao comitê de campanha do PT em Londrina, no edifício Twin Towers, e que ''nunca'' recebeu dinheiro do partido. ''A título de quê, eu receberia? Não sou político, não sou ligado ao PT e nunca prestei nenhum serviço a eles'', completou. O presidente da OAB estava tranquilo, mas disse que ficou ''chocado com a facilidade com que as pessoas fazem essas acusações''. Ele disse que não sabe ainda se vai processar Soraya.
Nesta semana, em matéria publicada na Folha, Soraya afirmou que iria entregar novos documentos, provavelmente uma agenda, que comprovariam gastos não contabilizados na campanha petista, somente à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. O depoimento já foi marcado para o próximo dia 4 de outubro, às 11 horas. Em Brasília, Soraya espera resolver também sua inclusão no Programa de Proteção a Testemunha. ''Recebi um telefonema da Polícia Federal na quinta-feira, mas vou à Brasília no dia 4 e lá eu resolvo'', disse.
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