Até então, ela citou nomes como os dos deputados petistas André Vargas e Paulo Bernardo (agora ministro do Planejamento) como supostos fornecedores de verbas não contabilizadas à campanha pela reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT) em Londrina. Ontem, a ex-assessora financeira Soraya Garcia, 32, acusou mais um parlamentar de ajudar extra-oficialmente o grupo: dessa vez, o também deputado José Dirceu (PT-SP), ex-ministro-chefe da Casa Civil. Em entrevista à Folha, Soraya garantiu ter ''mais bala na agulha'' contra a sigla à qual ainda é filiada, nos disparos que devem ser feitos ''em breve''. ''Contei 70% do que eu sabia. Ainda há muito detalhe para ser revelado, meu conta-gotas é proposital.''
A referência irônica foi feita ante à declaração do advogado do PT na cidade, João dos Santos Gomes Filho, criticando as denúncias por etapas. Esta semana, ela apresentou ao Ministério Público Eleitoral recibos eleitorais que configurariam irregularidades também na contabilidade oficial da campanha. A Polícia Federal (PF) já abriu inquérito para apurar os fatos novos.
A respeito do ex-ministro José Dirceu, Soraya garantiu que ele trouxe pelo menos R$ 300 mil ''pode ter sido até mais'' na primeira vez em que veio manifestar apoio à reeleição de Nedson. Esse é um dos pontos ela pede para esclarecer em uma acareação com o ex-coordenador de campanha, Augusto Ermétio Dias Junior, que em seguida à primeira denúncia pediu demissão da diretoria administrativo-finaceira da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
''Me coloquem de frente com o Augusto. São cerca de R$ 300 mil, lacrados, e eu e o Augusto contamos esse dinheiro. Foi na primeira vez que o Dirceu veio, em 18 de setembro'', explicou. ''Lembro que sentamos, lá no financeiro, e contamos esse valor; mas ele próprio (Augusto) me disse dias antes que o ministro estava trazendo dinheiro. Se tiver que processar alguém, que processem o Augusto'', reclamou. A afirmação de Dias Junior a Soraya, diz ela, foi feita em uma sexta-feira, véspera da visita de Dirceu a Londrina. ''Nesse sábado, estávamos sem dinheiro até para comida. Às 5 da tarde, passada a agenda com o ministro, o Augusto me deu dinheiro para comer no shopping'', afirmou.
O suposto envolvimento de Dirceu no esquema investigado em Londrina não foi declarado pela ex-assessora à PF, mas, diz ela, será à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. A respeito disso, Soraya refutou o caráter político que o prefeito e a defesa têm lhe imputado, sugerindo que Soraya estaria sendo usada com interesses contrários ao PT. ''Reconheço que aguardei começar a estourar a coisa em Brasília, porque tinha medo pela minha família. Quem escreveu à CPMI foi meu marido, que assiste à TV Senado e à TV Câmara e resolveu usar meu e-mail para escrever a políticos como Heloísa Helena, Luciana Genro (PSOL), Pedro Simon, Amir Lando (PMDB), Álvaro Dias, Gustavo Fruet (PSDB) e Osmar Dias (PDT). Estava com medo, tanto que quase todo dia tem carro com placa fria rondando a minha casa, que virou o portão do inferno. Não aguento mais acionar a Polícia Militar'', desabafou.
Outra declaração foi sobre um suposto aluguel de carro feito em nome da coordenação de campanha, mas que teria sido pago pela Visatec, do empresário Faiçal Jannani, irmão do deputado federal José Janene (PP). ''Era um Gol bancado por fora, cor meio chumbo. Ele (Nedson) usou esse veículo no início da campanha, durante alguns meses. Por outro lado, a Visatec ainda bancou um dos carros usados pelo Dirceu quando veio aqui, uma BMW bindada'', afirmou. A Paulo Bernardo, teria restado o aporte financeiro ''nas duas últimas semanas (do segundo turno), quando ele coordenou a campanha''. O prefeito nega a acusação, alegando que ''os próprios veículos de comunicação de Londrina viam que carro ele usava. É uma mentira''.
A continuação do ''conta-gotas'' contra o PT em Londrina, define a ex-assessora, deve se voltar para novos fatos que ela pretende apresentar ''não para desgastar o prefeito, mas para a investigação ter um fluxo decente''. E, de acordo com ela, vai em outra linha de investigação. ''Agora é sobre doações pulverizadas de caixa 2, esquentadas com o nome de pessoas que emprestaram o CPF e o RG'', adiantou. De quem? ''De gente da administração, de simpatizantes e de filiados ao PT. Lógico que vai ter que quebrar sigilo fiscal dessa gente, pois do caixa 1 eu apresentei tudo que podia. Louca é o que eu não sou mesmo, eles que são inconsistentes, genéricos, igual a medicamento vencido''.
LEIA MAIS SOBRE O ASSUNTO NA PÁGINA 4

mockup