A rejeição da candidatura própria na Convenção Nacional do PMDB não garante, do ponto de vista legal, o apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso na convenção de junho. Politicamente, porém, há remotas possibilidades de um recuo do PMDB. A Lei Eleitoral prevê que o candidato ou a coligação de partidos serão oficializados em convenção nacional no mês de junho. Os defensores da candidatura própria podem apresentar os nomes do ex-presidente Itamar Franco e dos senadores José Sarney (AP) e Roberto Requião (PR) nessa convenção.
Os opositores de FHC poderão, ainda, tentar aprovar uma coligação com outro candidato, como Ciro Gomes (PPS) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para evitar uma rearticulação dos dissidentes, os governistas decidiram afastar do cargo o presidente nacional do partido, deputado Paes de Andrade (CE), no prazo máximo de um mês.
Mesmo líderes derrotados acreditam, porém, que FHC não perderá o apoio do PMDB. ‘‘Juridicamente, a convenção (de domingo) não tem valor nenhum. Mas acho praticamente impossível uma reversão do quadro’’, disse ontem o senador Pedro Simon (RS), que votou a favor da candidatura própria. ‘‘Não podemos dizer que o resultado da convenção não vale. O resultado tem de ser respeitado, senão acaba o processo democrático. Mas podem haver fatos novos, como o grande desgaste de FHC, que justifiquem o lançamento de candidatura própria’’, disse o deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE), aliado de Paes.
Os líderes que defenderam a candidatura própria deverão estar divididos na convenção de junho. Itamar Franco havia dito que aceitaria o resultado da convenção, mas hoje deu sinais de que não está conformado. Sarney foi poupado do ataque dos governistas, porque é considerado o líder que tem melhores condições de arregimentar os dissidentes. Simon acha que Sarney acatará a decisão do partido. ‘‘Eu vou acatar. O Sarney também é homem de acatar’’, disse. Para o senador, é quase impossível Sarney aceitar uma candidatura pelo PMDB em junho. ‘‘Eu não sei nem se ele era candidato nessa (convenção).’
Requião, que pretende ser candidato a presidente, e o ex-governador Orestes Quércia (SP) deverão insistir na candidatura própria. Mas mesmo Quércia demonstrou desânimo em conversa com aliados ontem.

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