'Solução militar é golpista', diz especialista
Uma das bandeiras defendidas por parte dos manifestantes que vão às ruas hoje no Brasil, uma intervenção militar não tem respaldo constitucional para ocorrer, segundo o doutor em Direito do Estado e Direito Constitucional Marcos Antônio Striquer Soares. De acordo com ele, as Forças Armadas só podem atuar sob o comando do presidente da República. "A solução militar é golpista", descreve.
Nas redes sociais, pessoas indignadas com a situação atual e temerosas da instalação do comunismo defendem uma intervenção militar no governo federal para, depois, devolver o governo aos civis. "Se colocar o Exército para atuar sem a autoridade do presidente, ele vem para tomar todos os poderes", diz o professor de Direito da Universidade Estadual de Londrina.
Ele explica que todas as disposições sobre as Forças Armadas na Constituição Federal estão sob a autoridade suprema do presidente, que pode convocá-las em situações de estado de sítio, estado de defesa, intervenção federal sobre alguma Unidade da Federação e em declarações de guerra. Na opinião dele, é ilusão considerar que a solução militar possa ser melhor que qualquer outra democrática.
De acordo com o professor de ciência sociais da Universidade Estadual do Paraná (UFPR) Rodrigo Rossi Horochovski, pesquisas indicam que a maior rejeição ao regime militar ocorre na faixa etária das pessoas que vivenciaram. "Parece que os jovens que defendem a intervenção estão desconsiderando os aspectos negativos e 'fetichizando' os positivos", avalia.
Um exemplo citado por ele é a ideia de que a segurança, nos anos de chumbo, era maior. "Foi o período em que mais cresceram as taxas de homicídio", assinala. Também recorda que foi o período em que o Brasil quebrou, tornando-se dependente do Fundo Monetário Internacional, em 1982. "Mas não importa. Se a pessoa não quer considerar esses fatos, não adianta", diz. (L.F.W.)





