BRASÍLIA - Na contabilidade de erros e surpresas da convenção nacional do PMDB, os cardeais admitem que o resultado pode não ter sido bom para o partido, mas identificam um peemedebista vitorioso: o senador candidato à presidência do Senado, Íris Rezende (GO). ‘‘Ficou ruim para o PMDB, mas está claro que Íris é um peso pesado no partido e no Senado’’, resumiu o ex-governador mineiro e prefeito de Contagem, Newton Cardoso.
Foi a solidariedade à candidatura de um peemedebista histórico contra o pefelista Antônio Carlos Magalhães (BA) no Senado que levou os governadores do PMDB e suas bancadas a mudar de posição e a admitir mudanças no calendário da reeleição. A data da votação ficaria em aberto e poderia ser renegociada por uma comissão do partido, na qual o próprio Íris teria um lugar de destaque.
A irritação do PMDB contra o governo na convenção teve nome e sobrenome: o ministro das Comunicações, Sérgio Motta. Enquanto o presidente prometia isenção aos caciques do PMDB no Senado, o ministro trabalhava às claras pelo candidato do PFL. ‘‘O Serjão nos agrediu muito’’, reclamou ontem o senador Mauro Miranda (PMDB-GO). ‘‘Não admito que um ministro ponha em dúvida minha palavra’’, reagiu o senador Íris Rezende, indignado com as declarações de Motta aos jornais, prevendo que ele renunciaria em favor de Antônio Carlos.
Amigo e correligionário do ex-governador de Goiás, o senador Miranda deu o tom da irritação dos goianos, que tomou conta dos 22 senadores do PMDB e contaminou os deputados. Reunido com os convencionais do Maranhão, o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), identificou um racha na questão da reeleição-já e um clima favorável à moção do adiamento.

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