O deputado Ângelo Vanhoni (PT) disse ontem que o empresário Fausto Solano Pereira, dono da corretora Boasafra, citou o nome do governador Jaime Lerner no depoimento que prestou ontem à CPI do Senado Federal que investiga a emissão irregular de títulos públicos.
Segundo Vanhoni, Solano disse ter mantido contatos com os governadores Jaime Lerner (PR) e Paulo Afonso Vieira (PMDB) propondo a criação de empresas de investimentos nos dois Estados para o lançamento de debêntures que seriam negociadas no mercado financeiro por sua corretora. Seguindo a proposta de Solano, Lerner teria proposto a criação da Paraná Investimentos e Vieira teria articulado a Investimentos Santa Catarina (ISC).
‘‘As declarações do empresário Fausto Solano reforçam a necessidade de instalação de uma CPI na Assembléia Legislativa para investigar as operações do Banestado com títulos públicos e debêntures. Essas revelações e os novos fatos que surgirão nos próximos dias garantirão a instalação da CPI’’, afirmou Vanhoni.
O secretário Giovani Gionédis, chefe da Casa Civil, negou a participação de Fausto Solano no processo de criação da Paraná Investimentos. ‘‘Desconheço o depoimento desse empresário na CPI do Senado. Mas nunca houve contato de qualquer membro do governo do Paraná, muito menos do governador Jaime Lerner, com esse senhor. Se ele disse que esse contato existiu, que apresente as provas’’, afirmou.
Gionédis disse que as debêntures lançadas pela Paraná Investimentos, tendo como garantia as ações da Copel, foram negociadas exclusivamente com a BNDES Participações. ‘‘A corretora Boasafra não operou com as debêntures da Copel porque esses papéis ainda estão na BNDESpar’’, afirmou.
O governo do Paraná deve divulgar ainda hoje um levantamento completo de todas as operações feitas pela Banestado Corretora com os títulos públicos sob investigação da CPI do Senado Federal. ‘‘Essas informações ainda não foram divulgadas porque são mais de mil operações que estão sendo checadas’’.
Nesse relatório, o governo vai mostrar quais as corretoras que venderam os títulos para o Banestado no mercado secundário, qual foi o preço de aquisição, qual o preço de face dos papéis e como esses títulos chegaram ao mercado. Gionédis disse que os leilões primários não tiveram a divulgação exigida por lei, o que impossibilitou o Banestado a participar da compra original, aproveitando o deságio de até 30%.
Segundo Gionédis, a aquisição dos R$ 274,6 milhões de títulos públicos pela Banestado Corretora foi normal e representa apenas parte da carteira da corretora, que é de R$ 1,2 bilhão.

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