Agência Estado
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Ringue políticoSeguranças da Câmara tentam impedir invasão de militantes não credenciados: esforço inútil em convenção dominada pela violênciaUm grupo de aproximadamente 250 pessoas, organizado pelo deputado distrital Luiz Estevão (PMDB-DF) e pelo deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO), disputaram espaço dentro do plenário da Câmara com integrantes do MR-8 na base de socos e pontapés. Na tentativa de entrar no local, os militantes de Brasília provocaram uma imensa baderna dentro do Congresso, quebraram portas de vidros, empurraram o que estava pela frente e estavam dispostos a tudo. Alguns, armados com soco inglês, correntes, soquete e luvas de box, tudo trazido das academias onde a maioria frequenta.
O confronto entre o MR-8 e os integrantes do grupo amarelo, como ficaram conhecidos por estarem de camisetas dessa cor, começou por volta das 9 horas. O MR-8, mais experiente, entrou na Câmara por vários lugares diferentes para burlar a segurança, enquanto os amarelos preferiram a entrada pelo anexo I. Ao serem impedidos, quebraram a porta de vidro e invadiram as dependências da Casa. Os 220 homens da segurança do Congresso que estavam trabalhando ontem, pouco puderam fazer.
‘‘Estamos dispostos a mostrar para o MR-8 que em Brasília tem bastante homem’’, afirmou Ilenaldo Lima, o ‘‘Índio’’, um motorista baixinho, ao contrário de seus comandados, todos de físico avantajado. ‘‘Todos aqui malham, correm todos os dias, inclusive as mulheres’’, acrescentou Índio. Segundo ele, a presença do grupo na convenção era para se vingar do MR-8 por uma agressão ocorrida na última convenção do PMDB. ‘‘Se eles vieram de novo, não vamos nos intimidar’’, desafiou o coordenador do MR-8, o sindicalista paulista Carlos Pereira.
‘‘Quem está tumultuando tudo é este pessoal favoravel à reeleição’’, disse o ator Milton Gonçalves. ‘‘Se acontecer alguma coisa aqui será por culpa deles’’, acrescentou o ator. Ao seu lado, estava o aprendiz de sambista Roberval Uzêda, defensor da candidatura Itamar Franco e para quem compôs uma música. Com um broche do PMDB, Uzêda se diz representante dos favelados do Rio de Janeiro. Na quarta-feira, ele estava no Hotel Saint Paul levando apoio ao deputado Sérgio Naya (sem partido-MG), dono da Sersan, construtora do edifício Palace II, que desabou parcialmente no domingo de Carnaval, no Rio de Janeiro.
Bem mais calmo estava o grupo da Soic, uma agência que fornece recepcionistas para eventos. As 90 meninas ganharam R$ 40 para panfletar em favor do apoio à reeleição. Além disso, receberam camisetas e meias brancas, saias pretas e sapato vermelho. ‘‘Um pessoal de São Paulo trouxe tudo pronto e nos contratou para a convenção’’, afirmou uma das recepcionistas, que trabalha como bancária e que não quer ser identificada. Segundo ela, pelo menos 90% de suas colegas são desempregadas. (A.E.)

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