O diretor-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, vai convocar uma assembléia geral extraordinária entre os acionistas da empresa no próximo dia 15 para discutir uma possível reestruturação da empresa. A Folha apurou que Pavan estaria planejando tirar licença, após a realização da assembléia extraordinária. Na semana passada, cresceram as especulações quanto à saída de Pavan da empresa. O nome dele foi incluído na ação movida contra o prefeito Antonio Belinati (PFL) e outros oito ex-assessores e secretários municipais. O MP pede a prisão preventiva de todos os citados.
Segundo o presidente da Sercomtel, nos próximos dias o município e a sócia Copel, que detém 45% das ações, deverão decidir quais mudanças devem ser feitas na direção da empresa. Questionado se poderia deixar o comando, Pavan disse que o cargo sempre esteve à disposição do prefeito Jorge Scaff (PSB). Ele não confirmou se estaria planejando se licenciar. Pavan é funcionário de carreira da Sercomtel há 23 anos.
‘‘A assembléia geral tem o poder de alterar o comando da empresa, é o órgão máximo’’, afirmou Pavan. A data da assembléia deve ser oficializada a partir da publicação de edital de convocação no ‘‘Jornal Oficial do Município’’. A Sercomtel encaminha o anúncio ainda hoje.
Na quarta-feira passada, a Folha antecipou que o prefeito Jorge Scaff estaria apenas aguardando o final das férias de Rubens Pavan para promover modificações nas diretorias do mais rentável órgão da administração municipal de Londrina. Scaff, no entanto, evita comentar eventuais alterações na empresa telefônica.
Na mesa do prefeito existe um relatório elaborado pelo próprio presidente da Copel, Ingo Hubert, sugerindo fusões de diretorias. Entre as propostas estão inclusive alguns nomes que podem assumir cargos de diretores. A Sercomtel possui sete diretorias, incluindo o cargo de diretor-presidente, atualmente ocupado por Pavan. Duas diretorias são ocupadas por executivos indicados pela Copel, o do vice-presidente, Paulo César da Silva Machado, e o do diretor de Novos Negócios, Régis Plauti. Desde maio de 98 a empresa foi dividida em duas. Os executivos da empresa têm áreas de atuações definidas para o ramo de telefones fixos e celulares.
Na última segunda-feira, o prefeito Jorge Scaff evitou comentar se estaria mesmo disposto a fazer modificações no primeiro escalão municipal, incluindo a Sercomtel. Scaff estaria preocupado com substituições na telefônica.
Em entrevista à Folha, na semana passada, Rubens Pavan afirmou que não teve qualquer participação na denúncia que motivou o MP a entrar com a ação penal contra Belinati e outros oito ex-secretários municipais. Segundo informou, a sua atuação sempre esteve limitada aos assuntos da Sercomtel.
Pavan disse ainda que desafiaria qualquer pessoa a apontar um ato ilícito que poderia ter cometido no comando da empresa. O advogado do presidente da Sercomtel, Gilberto Balmann de Lima, informou, também na semana passada, que recomendará a seu cliente que mova um processo contra o Estado e contra os três promotores que assinam a ação penal. O advogado disse ainda que tem certeza de que a ação, que está tramitando no Tribunal de Justiça do Paraná, não deve prosperar.

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