Sociólogo francês prega mobilização contra crise
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terça-feira, 09 de setembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
O sociólogo francês Alain Touraine almoça hoje com seu amigo Fernando Henrique Cardoso, em Brasília, disposto a dar um alerta ao presidente: mais importante e urgente do que a reforma do Estado é a ampliação da mobilização social, do que ele chama de espaço político e público. Só assim, para Touraine, o País terá condições de sair da crise institucional e afastar as ameaças de um mergulho no caos da violência e da ausência de cidadania, como aconteceu na Colômbia e Bolívia.
É importante fortalecer a capacidade de ação autônoma dos atores sociais, quaisquer que sejam: empresariado, operários, camponeses sem-terra, bairros, mulheres, apontou. A principal tarefa hoje do governo brasileiro é lutar contra a exclusão e isso se faz respondendo às demandas sociais: cada vez que existe uma demanda social organizada, especialmente dos setores mais desfavorecidos, é importante tomar a iniciativa.
No Brasil desde domingo passado para uma série de conferências, o sociólogo visitou a Favela da Mangueira, no Rio, e, na sexta-feira, deverá conhecer um acampamento de sem-terra, ainda não definido. Especialista em América Latina, ele está preocupado com o que viu. A situação política do Brasil me parece mais e mais de crise do que conflito, no qual existe negociação, afirmou. Existe uma dualização das forças políticas e estou impressionado, porque observo uma tendência à radicalização total entre os dois grupos e até dentro deles.
Touraine identificou no momento atual do governo Fernando Henrique uma perda de autonomia e um retrocesso no processo político. A gente pensava, há meses, que o processo de reeleição daria mais liberdade de movimentos ao presidente, ponderou. Observamos o contrário: ficou mais dependente, para evitar um candidato de direita, o Maluf, e passou a viver um período mais negativo, de perda de autonomia.
Conselheiro do presidente, Touraine via na aliança com o PFL um parêntese ao projeto de Fernando Henrique para a reconstrução da vida política e social brasileira. Hoje, Touraine não sabe para onde pode levar essa aliança. Pode ser que o presidente esteja instrumentalizando a direita, mas pode ser o contrário e que o parênteses seja um buraco no qual ele caiu, comparou. Touraine não poupou críticas ao PSDB, que considera débil.


