Sociólogo faz críticas ao governo Lula
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terça-feira, 20 de abril de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A primeira reunião de secretariado do governo estadual aberta à presença de deputados estaduais, ontem de manhã, causou um certo mal-estar entre integrantes do governo Roberto Requião (PMDB) e alguns parlamentares do PT. Em vez das tradicionais reuniões de apresentação de trabalhos e metas fixadas pelas secretarias, no encontro de ontem os participantes assistiram a uma palestra do sociólogo e historiador político Francisco de Oliveira, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e que, hoje, depois de se desfiliar do partido, é um dos principais críticos da política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Requião, cujas relações com o governo federal já andam bastante estremecidas, em função de posições contrárias defendidas por ambas as partes, afirmou que a intenção, ao convidar Francisco de Oliveira, era buscar subsídios para que o governo do Estado possa elaborar propostas para sugerir ao governo federal. ''Chamamos o professor para que ele nos iluminasse o caminho na busca de uma visão crítica e construtiva'', disse.
O presidente do diretório estadual do PT, deputado estadual André Vargas, sequer compareceu à reunião. ''Não poderia comparecer a um lugar onde iria ouvir críticas, mas não haveria lugar para o debate'', criticou. Para ele, a atitude de Requião não foi adequada para o bom relacionamento dos dois partidos. ''Seria o mesmo que o governo federal fizesse uma reunião para avaliar o governo do Paraná e convidasse Jaime Lerner (PSB). O Paraná e o Brasil têm problemas, e se queremos mudar temos que estar unidos, articulados'', afirmou.
Mesmo sem espaço aberto para debates, o deputado estadual Natálio Stica (PT), líder do governo na Assembléia Legislativa, teve uma pequena discussão com Francisco de Oliveira. Stica fez uma intervenção durante a palestra para contestar a afirmação do sociólogo de que o problema do governo Lula foi ter acreditado que poderia fazer uma política de alianças ampla sem que isso acarretasse em mudanças de rumo de sua política econômica. Stica perguntou, então, como Francisco de Oliveira achava que o governo deveria ter agido num momento de transição.
De agora em diante as reuniões de secretariado serão sempre às terças-feiras, atendendo pedido dos deputados, que também querem participar dos encontros. Na próxima reunião, já está agendada uma palestra sobre conjuntura nacional, além de uma exposição da Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral.


