Socióloga diz que já é tarde para se informar
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de janeiro de 1998
Patrícia Zanin 
A nove meses das eleições, não é cedo para as pessoas iniciarem a reflexão sobre em quem votar no dia 4 de outubro. É tarde. Isso sim, sentencia a professora de Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Luzia Helena Hermann de Oliveira, doutora em ciência política pela PUC de São Paulo. Para ela, a avaliação e a cobrança da sociedade civil sobre os seus representantes independem de eleições - devem fazer parte de um processo constante.
A professora reconhece que muita gente nem se lembra em qual deputado ou senador votou nas eleições de 94 e diz que esse esquecimento favorece a falta de cobrança pela sociedade. Falta mobilização, admite. Outro problema apontado por ela, e de raízes culturais, é a construção da cidadania. Isso leva tempo, analisa.
A socióloga diz que não existe receita sobre os conceitos que o eleitor deve observar ao fazer uma escolha entre este ou aquele candidato, mas recomenda a verificação da posição pública em relação às questões relevantes do atual ocupante de cargo eletivo ou pretendente. A professora lembra, por exemplo, a importância de o eleitor informar-se sobre como procederam seus representantes na votação das reformas. Além disso, é muito oportuno observar as posições deles ligadas à vida da região, recomenda.
Para ela, a fragilidade do processo democrático é reflexo de um processo histórico. São pouco mais de dez anos de democracia que o Brasil está conhecendo agora, analisa. Para ela, o País está engatinhando na construção do processo democrático e o fato encontra retaguarda na fragilidade das instituições políticas.
Lúcia Helena afirma que a personalização do processo político é prejudicial à democracia. Se o sistema partidário fosse muito bem regulamentado e tivéssemos partidos fortes, as pessoas seriam levadas a votar nas siglas e em suas propostas, e não em pessoas como ocorre atualmente, analisa.
A professora defende uma reforma política como estratégia para fortalecimento do processo democrático. Hoje o político tem liberdade em relação ao partido. Se houvesse mais rigor e se o sistema fosse mais enxuto haveria um fortalecimento, acredita.


