Sócio de Beira-Mar some de Curitiba
Carmem Murara
De Curitiba
O braço direito do traficante carioca Fernandinho Beira-Mar, Jaime Amato Filho, de 38 anos, desapareceu de Curitiba, onde chefiava as operações de uma fortaleza perto da cidade e pode estar escondido no Paraguai. Amato já cumpriu pena de três anos na Penitenciária de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) por tráfico de drogas. Amato deixou a prisão em dezembro de 1996 e meses depois passou a morar na entrada de uma das favelas de Curitiba, onde montou a verdadeira fortaleza.
Amato vinha vivendo com a mãe, com um irmão e com o companheiro curitibano Aquiles Prestes. O traficante desapareceu há uma semana, quando a CPI do Narcotráfico o identificou. Ele controla boa parte da cocaína e crack que circula no interior do Estado e, até agora, não começou a ser investigado pela Polícia Civil nem pela Polícia Federal do Paraná ao contrário do que chegou a ser informado.
Informantes da Divisão de Narcóticos do Rio de Janeiro e a própria CPI do Narcotráfico já têm em mãos um vasto material com informações sobre as ligações de Amato com Beira-Mar, que estaria escondido numa fazenda no Paraguai. Amato é apontado como o responsável pela organização dos carregamentos de cocaína e crack, embarcados em aviões na cidade de Capitão Bado (Paraguai) e jogados na região de Atibaia, em São Paulo.
De lá, a droga segue escondida em carros e caminhões para o Rio. Parte abastece o norte do Paraná e as cidades de Maringá, Umuarama e Foz do Iguaçu. A polícia carioca suspeita que Amato movimente 140 quilos de cocaína e crack por mês.
Escutas telefônicas em telefones celulares do grupo mostram que o monitoramento dos aviões e o local onde será jogado o carregamento são feitos por um sistema de GPS aparelho que dá as coordenadas de latitude e longitude. A comunicação é toda feita em código, o que dificulta o trabalho dos policiais. A CPI descobriu que há fitas cassete gravadas, em que Amato e Beira-Mar falam uma linguagem cifrada sobre um carregamento que seria jogado próximo a Atibaia.
Amato não sai com frequência de Curitiba e quase não circula pela cidade. Ele é carioca de Duque de Caxias e morou na mesma favela de Beira-Mar, onde os dois começaram a traficar. Ele é considerado o terceiro na hierarquia do tráfico de cocaína do Paraguai para o Rio. O segundo é o traficante Marcelinho.
Amato passou a morar em Curitiba após ter deixado o Presídio de Piraquara. Enquanto esteve preso, ele conheceu Aquiles, servente de pedreiro que cumpria pena de 18 anos por latrocínio e ocultação de cadáver. Segundo relatos da época de presídio, os dois eram amantes. Prestes deixou a prisão em 97 e Amato o levou para morar com ele no Rio. Meses depois os dois retornaram a Curitiba.





