Sociedade se mobiliza contra a corrupção
Brasília - O combate à corrupção virou, nos últimos anos, bandeira de várias entidades da sociedade civil. Nos Estados e municípios surgem iniciativas para ajudar os órgãos públicos a identificar ações de irregularidades. Algumas acabaram adquirindo características de fiscal do poder público.
Em Vitória (ES), o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol) lançou neste mês a campanha ''Justiça sim, clientelismo não!'' para recolher denúncias contra o Judiciário capixaba. A idéia é encaminhar as informações obtidas ao Ministério da Justiça e à Anistia Internacional. Desde o início da campanha, o Sindipol foi criticado por diversos desembargadores.
O sindicato também decidiu reclamar em notas nos jornais locais da demora da Justiça em uma série de inquéritos, especialmente o assassinato do juiz Alexandre Martins, que investigava o crime organizado e a corrupção no Estado. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo e a Associação de Magistrados tiveram de divulgar uma nota para se explicarem. Os policiais civis organizaram ainda campanhas para criticar a superlotação nos presídios, a falta de contratação de agentes e contratações sem licitação feitas pelo governo do Estado. O Sindipol recebe denúncias pela internet ([email protected]) e pela caixa postal 36, CEP 29001-970.
''Às vezes, uma simples denúncia ou uma revolta de um cidadão pode deslanchar uma grande investigação'', afirma o brasilianista David Fleischer, que criou a primeira ONG de combate à corrupção no País. A Transparência, Consciência e Cidadania (TCC) surgiu em Brasília em 1996. Mais tarde, a TCC ajudou a fundar a ONG Transparência Brasil, com sede em São Paulo e abrangência nacional. A TCC desenvolve projetos e estudos sobre a corrupção. Fleischer explica que o Estado nem sempre é receptivo à participação de entidades da sociedade civil na área. ''No governo Fernando Henrique tínhamos dificuldades de atuação'', conta. Ele faz elogios à CGU, órgão criado no governo Lula que estaria mais receptivo à entrada de ONGs nesse debate. (L.N./AE)





